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Pesquisa analisa o empreendedorismo social feminino no Brasil

O contexto desafiador para o empoderamento das mulheres no Brasil e o papel que os negócios sociais já estão desempenhando no país foi o eixo da pesquisa realizada pelo British Council, em parceria com a NESst Brasil. 

O objetivo do estudo é demonstrar quanto os negócios sociais efetivamente endereçam a desigualdade de gênero e o empoderamento feminino no Brasil. Faz parte de uma série de relatórios comissionados pelo British Council para examinar o vínculo entre o negócio social e o empoderamento feminino em cinco países: Brasil, Índia, Paquistão, Reino Unido e EUA. A equipe responsável pelo estudo entrevistou 80 empreendedores sociais no Brasil.

O relatório explora os pontos fortes e as fraquezas do negócio social como mecanismo para o empoderamento de mulheres e contempla as diferentes maneiras em que está aplicado para tanto. Também é examinada a ideia que o modelo de negócio social possa promover o empoderamento feminino mesmo que este não seja seu objetivo específico.

“Nossa pesquisa partiu de uma inciativa global para entender melhor o ecossistema do empreendedorismo social e sua correlação com o empoderamento de mulheres em cinco países diferentes. O excelente mapeamento feito pela Pipe Social mostra a relutância contínua de investidores e bancos no Brasil em emprestar dinheiro para mulheres empreendedoras, mesmo quando é evidente a superioridade de seus planos de negócio e a capacidade de empreendedorismo das pessoas envolvidas. Muitas empreendedoras sociais administram seus negócios sem acesso ao capital e muitas contam somente com apoio dos 3 F’s, em inglês “family, friends and fools” – famílias, amigos e tolos”, aponta Martin Dowle, diretor do British Council no Brasil.

O estudo elenca recomendações para o governo e geradores de políticas públicas; para financiadores e investidores; e para organizações intermediárias e setor de negócios sociais. Entre outras questões, o estudo aborda:

  • mulheres na liderança de negócios de impacto social;
  • acesso de mulheres a recursos e investimentos para o fortalecimento de negócios de impacto social;
  • negócios de impacto social como plataforma eficaz para o empoderamento das mulheres;
  • como os negócios de impacto social desafiam ou reforçam estereótipos de gênero na economia.

Empreendedorismo social no Brasil

O setor do negócio social está abrindo caminho para o empreendedorismo e a liderança de mulheres em vários países. No Brasil, porém, em que a taxa de empreendedorismo social está entre as mais baixas do mundo – apenas 4% –, as mulheres enfrentam um contexto extremamente desfavorável. Enquanto 43% das empresas com fins lucrativos pertencem a mulheres e 59% têm uma mulher entre seus principais proprietários, apenas 20% dos negócios sociais são liderados por mulheres.

O estudo aponta que as empreendedoras sociais são um recurso subutilizado. “Mais estudos são necessários para entender porque as mulheres estão tão sub-representadas nos negócios sociais no Brasil, em especial em posições de liderança. Isto não é reflexo apenas da disparidade de gênero existente na sociedade brasileira; o setor de negócios sociais no Brasil é, na realidade, pior do que o setor de empreendedorismo tradicional. Em outros países, em relação a outros setores, o segmento de negócios sociais está abrindo caminho para o empreendedorismo e a liderança de mulheres, além de perspectivas de melhores padrões de igualdade de gênero. O setor de negócios sociais no Brasil precisa urgentemente aprender essas lições e aplicá-las na prática”, destaca Mark Richardson, do Social Impact Consulting, redator do relatório.

O estudo aponta ainda a necessidade de se alcançar um cuidadoso equilíbrio entre prover infraestrutura especificamente para empreendedoras sociais como forma de corrigir a discriminação da sociedade e não fazer com que o negócio social seja percebido como “trabalho para mulher”, o que viria a minar a credibilidade de um setor incipiente e a credibilidade de empreendedoras e empreendedores sociais. Enquanto setor, a evidência de outros países mostra que se poderia fazer ainda muito mais. O vínculo entre o negócio social e o empoderamento feminino poderia ser ainda mais forte.

Principais conclusões

  • Para 75% das mulheres empreendedoras sociais, ter começado o negócio deu a elas um sentimento de autovalorização.
  • Para 56%, o empreendimento social deixou-as mais capazes de fazer suas próprias escolhas.
  • As mulheres empreendedoras sociais encontram muitas das mesmas barreiras enfrentadas pelos homens, como impostos e burocracia. Mas há áreas em que as mulheres afirmam ter desvantagens significativas em relação aos homens, de acordo com a pesquisa. São elas: maior demanda de tempo para obrigações domésticas e de família, menor acesso a financiamentos, menor confiança nas suas competências e habilidades, menos modelos femininos para seguir, pressões sociais e familiares, preconceito e discriminação.
  • Para 62% das mulheres, o gênero teve impacto nas barreiras que enfrentam ao conduzir seus negócios sociais.
  • A pesquisa encontrou diferenças de perfil entre as empreendedoras sociais formais e as informais. Entre as que estabeleceram negócios formais, 76% tiveram padrão de vida no mínimo confortável na infância, 82% ainda estavam na escola aos 21 anos e somente 6% são responsáveis pelo principal salário em sua família (contra 76% dos homens empreendedores sociais).
  • As mulheres de origens mais pobres e com níveis mais baixos de educação são mais envolvidas com o empreendedorismo social informal nas suas comunidades, com remuneração mais baixa.

Confira a íntegra do documento aqui.



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial