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Décima edição do Fórum Latinoamericano de Investimento de Impacto lança olhar sobre questões ambientais e de refugiados

Delegação brasileira acompanhou as cinco trilhas temáticas do maior encontro sobre empreendedorismo social e investimento de impacto da América Latina. 

Entre os dias 18 e 20 de fevereiro, a cidade de Mérida, no México, foi palco da décima edição do Fórum Latinoamericano de Investimento de Impacto (Foro Latinoamericano de Inversión de Impacto – FLII). Criado em 2011 e realizado pela New Ventures, o evento tem como objetivo reunir líderes e representantes de diferentes setores relacionados a impacto: empresas, fundações, fundos, organizações da sociedade civil (OSCs), escolas de negócios e os demais interessados no tema. 

Ao longo dos anos, o FLII tornou-se o maior encontro sobre empreendedorismo social e investimento de impacto da América Latina, promovendo troca de experiências e espaço de diálogo para pessoas interessadas em trabalhar juntas na criação de soluções inovadoras para resolução de grandes desafios socioambientais. 

A agenda do evento, marcada por palestras, apresentações e momentos destinados a networking, foi construída com base em cinco trilhas: pensamento sistêmico, mudanças climáticas, redefinição de indústrias, investimento resiliente e visibilidade e inclusão. Esses grandes temas deram origem a discussões envolvendo blended finance, 4ª revolução industrial, escalabilidade, uso de dados, diversidade, economia circular na moda, entre outras.  

 

Dez anos de FLII 

Integrante da delegação brasileira no FLII, Debora Batista, analista de programas do ICE, reforça o caráter celebratório de dez anos de um evento criado para fomentar o ecossistema de impacto na América Latina. “Ao mesmo tempo em que havia pessoas que participaram das dez edições, outros, como eu, estavam lá pela primeira vez.” 

Para a analista, a programação do encontro foi ampla e abarcou diferentes temas dentro do guarda-chuva de investimento de impacto. “Muito se falou sobre incentivo a finanças mais sustentáveis e com impacto, não necessariamente sobre investimento de impacto como temos definido aqui no Brasil com a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto. Além disso, outro grande aprendizado foi estabelecer uma conversa com diferentes públicos, não só com os ‘convertidos’, mas também com aqueles que estão entrando agora nesse campo”, explica. 

 

Questão ambiental e de refugiados em foco

Além de mudanças climáticas ser o tema de uma das trilhas que conduziram  a programação do evento, Debora afirma que a questão ambiental recebeu atenção durante os três dias do Fórum. “Presente tanto nas sessões paralelas como nas plenárias principais, a questão ambiental foi um dos temas mais falados no evento. O assunto foi debatido em várias mesas, com um olhar sobre como é possível haver investimentos mais ambientalmente amigáveis e como devemos reforçar investimentos que tenham como eixo, além do risco e retorno, o impacto ambiental que eles causam.” 

A crise migratória e maneiras de abordar e investir na inclusão de refugiados foi outro tema de bastante destaque, inclusive aparecendo como assunto da primeira palestra no dia de abertura do evento, ministrada por John Kluge, fundador e diretor-gerente da Refugee Investment Network. 

 

O Brasil no FLII

A delegação brasileira, formada por Debora; Armando Toledo, voluntário do ICE; um representante do Instituto Humanize e cinco gestores de incubadoras e aceleradoras de cada região do Brasil, participou do FLII visando o aprendizado e troca de experiências. 

Para Carlos Gabriel Koury, diretor técnico do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM) – organização não governamental sem fins lucrativos sediada em Manaus, no Amazonas -, além da atualização sobre os principais temas tratados atualmente no cenário de investimentos de impacto da América Latina, participar do FLII foi uma experiência positiva no sentido de confirmar que o Brasil não está em desequilíbrio quando se trata de ações de investimento de impacto. 

“Foi possível acompanhar empreendimentos e negócios de impacto fazendo suas apresentações ou participando de sessões de debate, além de analisar a forma de atuação deles, com foco bastante forte no conceito de negócios sociais. Além de criar uma rede fortalecida de parceiros que participaram do Fórum, pudemos trocar muitas ideias e começar a planejar ações para maior integração”, reforçou. 

Silvana Alves da Silva, da incubadora Nascente BH, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), vencedora da 4ª turma do Programa de Incubação e Aceleração de Impacto do ICE, também esteve presente e pontuou que a participação no Fórum ajudou na compreensão da importância de fortalecer as instituições brasileiras apoiadoras de negócios de impacto. “Dessa forma, conseguiremos participar ativamente da rede de atores e apoiadores formada pelos países da América Latina, demonstrando a relevância do nosso país e do trabalho que desempenhamos.” 

Para Silvana, o Brasil precisa apresentar de forma mais expressa à rede do FLII os avanços e a forma com que vem trabalhando, que engloba o esforço de indicar de forma clara quais critérios são usados para definir negócios de impacto e o envolvimento da academia no processo de amadurecimento do conceito e no apoio a esse tipo de negócio. 

Além de acompanhar a agenda do evento, o grupo brasileiro coordenado pelo ICE também participou de reuniões paralelas com a New Ventures, organizadora do Fórum, e com o Global Steering Group for Impact Investing, o GSG. “Foram oportunidades únicas, tanto para a New Ventures ouvir o que estamos fazendo no ecossistema do Brasil, como para nós conhecermos o modelo deles de ativação de ecossistema no México. Com o GSG discutimos a participação do Brasil na ativação do ecossistema no nível global”, pontua Debora. 



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial