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Definição de negócios de impacto é discutida pela Aliança com colaboração da Pipe Social  

Formulada em 2015, a definição atual será revisitada a partir de pesquisa, levantamento de referências nacionais e internacionais e escuta de atores do ecossistema. 

Avaliar e atualizar os conceitos de negócio de impacto apresentados na Carta de Princípios para Negócios de Impacto no Brasil é o objetivo do processo de revisão do documento que está sendo realizado pela Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto em colaboração com a Pipe Social. 

A primeira versão da Carta foi lançada em 2015, quando a Aliança se chamava Força Tarefa de Finanças Sociais. Diogo Quitério, gestor de programas do ICE e coordenador da Aliança pelo Impacto, conta que o processo de elaboração do material foi feito de forma colaborativa ao longo de 2014. Entrevistas, consulta de documentos de referência e até mesmo uma consulta aberta online basearam o conjunto de definições sobre negócios de impacto apresentados. 

“Nós ficamos satisfeitos com o resultado da primeira Carta. Aqueles conceitos foram usados em diversas pesquisas acadêmicas, chamadas de negócios, editais de premiação e direcionamentos para o Censo GIFE (Grupo de Institutos, Fundaçõe e Empresas) e a ENIMPACTO – Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto”. 

No entanto, uma série de fatores fez com que a Aliança, o ICE e sua rede de parceiros considerassem oportuno revisitar a Carta. Entre eles, Diogo destaca o crescimento e dinamismo do ecossistema de negócios de impacto socioambiental. Além de ser menor em 2014, possivelmente, as organizações que o compunham tinham perfis mais semelhantes entre elas do que atualmente.  

“Nós esperávamos que o ecossistema de negócios de impacto começasse a pautar a forma de fazer negócios e resolver problemas sociais no Brasil todo. É normal que esse crescimento levasse ao questionamento sobre algumas fronteiras com outras áreas. A área de economia criativa, por exemplo, começou a se aproximar muito do ecossistema de impacto. O mesmo aconteceu com o movimento das Empresas B, o crescimento do empreendedorismo nas periferias, a aproximação de organizações ambientais. Quais eram os pontos que nos aproximam e nos diferenciam dessas agendas?”, reflete o gestor. 

A Pipe Social foi escolhida como parceira técnica pela Aliança para a revisão por sua experiência em pesquisas no campo de negócios de impacto, além de grande contato com empreendedores e outros atores do ecossistema. “Temos a intenção de que o produto final desse trabalho seja útil e dialogue com a linguagem dos empreendedores, que estão no centro da ação para entregar produtos e serviços de impacto. Trabalhar com a Pipe é uma forma de garantir que esses atores estejam envolvidos no processo e que possam discutir o produto final”, explica Diogo. 

Lívia Hollerbach, cofundadora da Pipe Social, defende que a conceituação de negócios de impacto é o marco zero do setor, servindo tanto para orientar novos empreendedores que estão chegando ou querendo se aproximar do campo, quanto aqueles que fomentam o campo (investidores, aceleradoras, incubadoras, institutos e fundações). 

Atualmente, a organização quantifica e qualifica o pipeline de negócios de impacto socioambiental no país. Por isso, Lívia defende que ter um conceito bem definido dos negócios é de suma importância para diferenciá-los de outros tipos de negócio, além de fortalecer a identidade do setor. “Foi um prazer termos sido convidados para conduzir o processo de atualização da Carta de Princípios com a Aliança pelo Impacto, afinal, os critérios de classificação são a base de toda nossa metodologia na Pipe Social para quantificar e qualificar negócios de impacto socioambiental.”

O processo 

Livia explica que a primeira etapa do trabalho de revisão foi de pesquisa, levantamento e estudo de conteúdos já publicados: “Um dos primeiros passos na coleta de dados foi pesquisar como países do exterior que têm uma legislação avançada ou olhar mais maduro do setor entendem e classificam negócios de impacto com todas as suas variações. Isso nos ajudou a entender quais são as vantagens e riscos nesse processo de assumir uma legislação legal [para negócios de impacto socioambiental]”. 

Também foi realizada uma análise do cenário brasileiro para entender como as organizações se posicionam institucionalmente e conceituam os negócios de impacto. Foi a partir desse estudo inicial que a Pipe montou uma lista de definições usadas por quase cem organizações – entre aceleradoras, incubadoras, investidores de diferentes tipos e portes, institutos e fundações, governo, empresas da iniciativa privada e sociedade civil -, para entender pontos em comum e divergentes.

A fase de pesquisa deu origem aos questionários aplicados na fase de entrevistas e dinâmica com grupos, momento destinado a estudar as referências mapeadas e avaliar quais delas fazem sentido e encaixam-se no contexto brasileiro. 

Quatro grupos de discussão formados por cinco pessoas participaram de workshops conduzidos por Pipe e Aliança com o objetivo de construir coletivamente consensos sobre quais são as características gerais de negócios de impacto, além de desenvolver filtros restritivos e qualificadores para os negócios. 

Diogo explica que cada grupo chegou em um consenso sobre filtros mínimos, ou seja, o que um negócio de impacto precisa ter para ser considerado como tal, e filtros qualificadores, características que seriam interessantes para um negócio. “Juntando tudo o que veio das pesquisas e dos grupos, estamos estruturando uma consulta aberta online com o objetivo de ampliar o alcance e possibilitar que todo o ecossistema possa testar os filtros, critérios e narrativas que apareceram nas duas primeiras etapas e ver se faz sentido para um grupo maior.”

A consulta aberta em plataforma online terá início durante o mês de julho. A versão final da nova Carta de Princípios para Negócios de Impacto no Brasil tem lançamento previsto para o segundo semestre deste ano.

Abertura ao diálogo e colaboração merecem destaque 

Como o processo de revisão da Carta de Princípios ainda está em andamento, é cedo para falar de aprendizados ou conclusões. A essa altura, Diogo valoriza o engajamento de quem participou dos grupos de discussão. “Todos entenderam o desafio de formular um conceito que responda todas as perguntas sobre negócios de impacto socioambiental. É o conceito ou conjunto de conceitos criados no final desse processo, entretanto, que irá ajudar a orientar o avanço do ecossistema. 

Lívia reforça a importância de que todos os atores sejam contemplados e que tenham sua atuação legitimada. É com a mentalidade de envolver o maior número possível de visões na revisão que a Aliança pelo Impacto e a Pipe Social adotaram uma metodologia horizontal, que não impõe conceitos de cima para baixo. “A Carta não pretende ser uma diretiva vertical da Aliança. Essa metodologia ampla propõe uma leitura do ecossistema com o olhar para classificação e atuação dos negócios do setor e a busca por critérios onde a maioria dos representantes se sinta confortável. É um grande trabalho que não têm sido fácil, mas é muito importante de ser feito”, afirma.

Foto por Pipe.Social



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial