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ICE vê mais dinamizadores em nova fase do ecossistema de impacto no Brasil

Aceleradoras e incubadoras, instituições acadêmicas, gestores e fundos, avaliadores e estruturadores de instrumentos e oportunidades de investimento são alguns dos agentes que compõem o rol de apoio a empreendedores e investidores em suas jornadas de impacto.

As chamadas organizações intermediárias do ecossistema de investimentos e negócios de impacto são consideradas fundamentais para o apoio à estruturação de empreendimentos orientados à resolução dos desafios socioambientais mais complexos.

Não por acaso, elas estão no centro da estratégia da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto desde 2015, quando a iniciativa  lançou as primeiras recomendações para o ecossistema brasileiro, identificando o fortalecimento das organizações intermediárias entre as frentes de trabalho que precisavam ser impulsionadas para sua ativação.

Os desafios para a incorporação e manutenção de uma estratégia de apoio a negócios de impacto, que já eram inúmeros, ganharam ainda mais escala frente à pandemia de Covid-19. Para responder a esse cenário, mais uma vez, o ICE centrou forças no apoio a essas organizações.

A ação, que ganhou o nome de Elos de Impacto, acabou por rebatizar um dos programas do Instituto. O Programa de Incubação e Aceleração de Impacto ganha não só um novo nome, como atualiza o papel das organizações intermediárias – agora como dinamizadoras do ecossistema – e muda sua lógica de atuação com o objetivo de fortalecer estruturas mais locais.

“Percebemos essa necessidade, tanto com a experiência acumulada pelo programa nos últimos cinco anos, como a partir da nova visão de desafios e avanços necessários para o fortalecimento do campo de impacto. ”, explica Fernanda Bombardi, gerente executiva do ICE e responsável pelo programa Elos de Impacto.

O processo de discussão e construção das diretrizes para o próximo ciclo (2021 – 2025) envolveu a equipe, associados e parceiros do ICE e foi conduzido pelo Sense-Lab – consultoria especializada em estratégia e inovação. Para análise dos aprendizados do primeiro ciclo, iniciado em 2014, ICE contou com o resultado da avaliação de impacto do Projeto de Promoção do Ecossistema de Investimento e Negócios de Impacto Socioambiental no Brasil, promovido em convênio com o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. O estudo avaliativo, conduzido pelo IDIS, foi concluído em setembro de 2020.

Ampliando o espectro de dinamizadores do ecossistema de impacto

Na nova Teoria de Mudança do ICE ganhou mais relevância a atuação em  colaboração com redes e organizações que apoiam empreendedores e investidores em suas jornadas de impacto; produzem e disseminam conhecimento, conceitos, dados e conteúdos para formar e engajar mais empreendedores e investidores; estruturam, distribuem e gerenciam produtos financeiros que permitem alocação de capital para negócios de impacto; e constroem um macroambiente normativo e cultural favorável para a atuação de empreendedores e investidores de impacto. Além das incubadoras e aceleradoras, fazem parte desse grupo instituições acadêmicas, fundos e gestores, mentores e redes de avaliadores, estruturadores de oportunidades de investimentos, entre outros.

Após realizar cinco turmas de formação para promover estratégias de apoio a negócios de impacto em mais de 75 organizações de todo o Brasil, o ICE sentiu necessidade de ampliar o espectro de organizações apoiadas para fomentar o setor, que se encontra em outro estágio agora, como explica Fernanda.

“Precisamos não só de incubadoras e aceleradoras, mas também de outros tipos de iniciativas dinamizando o ecossistema, as relações, o fluxo de capital, seja com o desenho de instrumentos financeiros, seja com geração de conhecimento e outras contribuições. Sem contar que as próprias organizações não se viam mais como intermediárias.”

Além da frente de formação voltada a equipes que lidam diretamente com os empreendedores de impacto, a nova estratégia abarca também uma frente institucional, com o desenvolvimento de outras capacidades, como planejamento estratégico, captação de recursos, mobilização de parcerias, retenção de equipe, entre outras. Também está no horizonte a construção de uma coalizão para financiar as dinamizadoras.

“Decidimos testar um formato bastante ousado que mobilizará atores de diferentes perfis e diversos tipos de capital para executar uma estratégia de fortalecimento do ecossistema por meio do apoio a essas dinamizadoras. Desenharemos em mais detalhes essa frente no primeiro semestre deste ano para realizar uma grande mobilização no segundo semestre”, explica a gerente.

Ainda no primeiro semestre, o programa Elos de Impacto dará início a mais uma turma do curso on-line Como Apoiar Negócios de Impacto Social e Ambiental. As inscrições serão abertas no mês de fevereiro e divulgadas nas redes sociais do ICE.

Novas fronteiras e oportunidades também no investimento de impacto

O importante  papel das dinamizadoras no aporte de  capital para impacto – como os fundos, gestores e estruturadores de oportunidades de investimentos – também ganha destaque na nova Teoria de Mudança do ICE. O chamado para que gestores e investidores coloquem impacto no centro de suas decisões vem acompanhado de investimentos do ICE em instrumentos financeiros de impacto.

A fonte principal dos recursos para isso está na gestão do pagamento de empréstimos concedidos a 16 negócios de impacto apoiados pela parceria ICE-BID. Além de seguir acompanhando a evolução dos negócios que compõem o Portfólio ICE-BID, o ICE vai desenvolver um sistema mais robusto de monitoramento de impacto das empresas e compartilhar os aprendizados que vem acumulando.

Beto Scretas, consultor do ICE e responsável pelo novo programa dedicado a investimentos de impacto, conta que a estratégia  de reinvestir os recursos retornados dos empréstimos nos dinamizadores já está em prática desde o final de 2020.

“Decidimos que a melhor maneira de fazer isso é alocando esses recursos em produtos financeiros de impacto. E assim temos feito desde o final do ano passado, com aportes já realizados na plataforma do  CoVida20 [para financiamento de negócios comprometidos com a manutenção de emprego e renda], no fundo Empírica VOX Impacto FIC FIM CP [fundo que investe em outros fundos que apoiam com crédito microempreendedores] e na estrutura de financiamento coletivo via plataforma para negócios de impacto organizada pela Sitawi.”

O montante aportado nos três fundos foi de R$ 420 mil. O ICE realizou ainda um novo aporte de R$ 150 mil na investida Sumá.

Diversidade geográfica, racial e de gênero são desafios

Passados três anos desde a primeira edição da Chamada ICE-BID, para seleção de negócios de impacto que viriam a formar o Portfólio ICE-BID, o Instituto  faz um balanço do que aprendeu na jornada até aqui para inspirar debates e outras iniciativas no ecossistema. Para Beto, tais aprendizados apontam desafios que deveriam estar no horizonte dos dinamizadores no próximo período.

É o caso, por exemplo, do que o consultor classifica como ‘dilema impacto/rentabilidade’, ou seja, a escolha da rentabilidade em detrimento do impacto. “Isso acontece muito com empresas que nascem com o propósito de distribuir seu produto diretamente para pessoas, um modelo de negócio mais caro e mais difícil de escalar, e se vê obrigada a mudar para o modelo B2B, ou seja, vender para empresas”, explica.

Outro desafio apontado pelo consultor diz respeito à diversidade dos negócios, tanto geograficamente, quanto nos quesitos de raça e gênero.

“Assim como ainda vemos poucos negócios de impacto fora do eixo Rio-São Paulo ou da região Sudeste – e, quando vemos, eles têm uma desvantagem competitiva clara em termos de acesso a networking, conhecimento e financiamento -, há um desequilíbrio no perfil dos empreendedores, com baixa presença de negros e mulheres à frente dos negócios e de empreendedores periféricos. Dos 16 negócios do Portfólio ICE-BID, apenas três tinham liderança e/ou co-liderança de mulheres, apenas um era de origem periférica e nenhum deles era liderado por uma pessoa negra. Portanto, esse é um desafio em torno do qual todo o ecossistema precisa se mobilizar.”, ressalta o consultor.

 

(Crédito da imagem: ícones de iconixar – Noun Project.)



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial