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Quintessa aponta crescimento no apoio a negócios de impacto no Brasil

Apesar do avanço demonstrado em nova edição do Guia 2.5, elaborado com apoio de ICE e Instituto Sabin, lacuna no apoio a negócios em estágio inicial perdura

Na composição do ecossistema de investimentos e negócios de impacto, as incubadoras e aceleradoras têm o papel de apoiar o desenvolvimento e amadurecimento dos negócios, que devem buscar processos de incubação e aceleração que mais conversem com seus propósitos. Para contribuir com esse match, o Quintessa acaba de lançar a terceira edição do Guia 2.5

A iniciativa, que nesta edição conta com o apoio do ICE e do Instituto Sabin, foi concebida em 2015 para apresentar, em uma única ferramenta online, o suporte existente para o desenvolvimento de empreendimentos que geram impacto socioambiental positivo, além de facilitar a conexão entre empreendedores e organizações intermediárias.

O guia é dividido em quatro frentes: um teste interativo sobre o estágio e localização do negócio e tipo de suporte desejado; a descrição detalhada de iniciativas de apoio aos negócios; um levantamento de outras organizações atuantes no setor; e uma publicação com análises das iniciativas e de suas organizações. 

Propósito

O nome da publicação faz alusão a um ‘meio termo’ entre o segundo setor, formado por empresas privadas com foco em gerar lucro, e o terceiro setor, composto por organizações sem fins lucrativos e com a meta de gerar impacto social positivo. Nesse contexto, os negócios de impacto unem os dois mundos no ‘setor 2.5’: desejam gerar lucro com a venda de produtos, serviços e soluções que buscam melhorias socioambientais. 

Segundo Fernanda Bombardi, gerente executiva do ICE, a decisão de apoiar o desenvolvimento do Guia 2.5 conversa diretamente com o propósito do Instituto de incentivar o fortalecimento do ecossistema de impacto como um todo, no qual é necessária a presença de atores sensibilizados, preparados e mobilizados para dar suporte ao empreendedor. “Precisamos garantir que existam atores da oferta de capital atuando para investir com impacto e performance, as organizações intermediárias e dinamizadoras desse ecossistema incentivando o fluxo de capital e dando o melhor suporte ao empreendedor e os negócios preparados para receber o investimento”, explica. 

Para a gerente, a ferramenta vai além de seu propósito inicial de apoiar o empreendedor a tomar uma decisão consciente sobre qual programa melhor se adequa aos seus desafios e necessidades. “O Guia 2.5 dá uma contribuição adicional ao campo de mapear quem são essas organizações dinamizadoras e intermediárias que prestam suporte ao empreendedor e mostrar que tipo de apoio elas mesmas necessitam. O ICE tem essa visão de que precisamos de informações muito qualificadas para conseguir avançar no campo e o guia traz bons insumos sobre como se comportam as organizações de apoio ao empreendedor hoje.”

O ecossistema avança 

A terceira edição do guia apresenta 54 iniciativas de 43 organizações. Dessas, 35 (65%) estão focadas no desenvolvimento dos negócios de impacto, enquanto 19 oferecem apoio via aporte financeiro. 

O aumento do número de iniciativas é expressivo se comparado com as edições anteriores da publicação. No ano de lançamento (2015), foram mapeadas 11 organizações. Em 2017, a segunda edição do Guia 2.5 trazia 34 iniciativas de 30 organizações. Entre 2017 e 2019, quando a terceira edição da publicação foi produzida, foram criadas 25 novas iniciativas focadas no apoio a negócios de impacto, a partir da criação de sete novas organizações intermediárias, o que indica, sobretudo, diversificação do portfólio de organizações já existentes. 

Para Fernanda, esse aumento é motivo de celebração, bem como a diversificação das regiões onde as organizações atuam. “Hoje, nós vemos organizações de apoio ao empreendedor em todas as macrorregiões do Brasil e essa é uma percepção do ICE de que nos últimos anos a temática se tornou nacional.” 

Segundo a gerente, o guia apresenta um retrato do cenário dinâmico do setor em 2020: diversidade geográfica das organizações, dos tipos de empreendedores, dos apoios oferecidos e também dos investidores que apoiam negócios de impacto. No que tange à distribuição geográfica, por exemplo, todas as regiões estão representadas no guia. Sudeste concentra mais sedes de organizações (30), seguida da região Sul (8), Nordeste (5), Norte (3) e Centro-Oeste (2), além de uma organização com sede internacional. 

Próximos passos 

Apesar dos avanços, é possível notar que há uma concentração maior de iniciativas de apoio para negócios e empreendedores em estágios mais avançados de desenvolvimento (51 iniciativas), produzindo um gargalo no apoio a negócios em sua fase inicial (26 iniciativas). 

A escala de desenvolvimento dos negócios utilizada pelo guia vai de 1 a 6. Para serem considerados em estágio avançado, os negócios precisam ter produtos e serviços já existentes e estarem preparando a primeira rodada de vendas e validação no mercado (estágio 4), estruturação da gestão da organização e refinamento do modelo de negócios depois do primeiro teste no mercado (estágio 5) ou negócio estruturado e pronto para crescer (estágio 6). 

Além de mais ajuda para quem está no começo da jornada como negócio de impacto, Fernanda, vê entre os próximos passos para o fortalecimento desse ecossistema a necessidade de promover conexões entre novos e diferentes atores, de forma a fortalecer ecossistemas locais de negócios de impacto. 

Ela também destaca a importância de ampliar as capacidades das  organizações para  maior apoio ao empreendedor e conexão dos negócios com atores com maior potencial de financiamento. “Fica como ponto de atenção a necessidade de, cada vez mais, gerarmos negócios ‘investíveis’ e também que tenham capacidade de mobilizar mais recursos para atingirem seu impacto com escala. Não se trata de investimento por investimento, mas sim recursos que contribuam para que o negócio gere mais impacto.” 



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial