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Resumo da Tese de Livre-Docência da Professora Graziella Maria Comini

A emergência e a expansão de negócios sociais em diferentes partes do globo tornam esse fenômeno foco de estudo das ciências administrativas, tanto para conhecer suas características empíricas, como para modelar ferramentas de gestão apropriadas. Este trabalho teve como objetivo contribuir para o avanço do campo de estudos sobre empreendimentos sociais, particularmente sob a dimensão de inovação social, por ter identificado algumas lacunas na literatura, dentre as quais: imprecisa distinção entre determinantes e dimensões analíticas da inovação; raros estudos sob a lente de resultado, e a maioria dos trabalhos associa inovação social apenas às organizações sem fins lucrativos.

A partir destas lacunas, delineou-se o problema de investigação: até que ponto os modelos de negócios sociais são geradores de inovação socioambiental? Este estudo deu continuidade aos resultados de uma pesquisa qualitativa exploratória-descritiva, multicasos, sob a coordenação desta autora, que identificou e descreveu negócios sociais nos vinte e sete estados brasileiros. Nesta segunda fase, os objetivos foram: identificar até que ponto os negócios sociais são fonte de inovação e avaliar as possíveis relações entre características do empreendimento social e tipo de inovação implementada.

A inovação social foi analisada na perspectiva de resultado, ou seja, soluções novas (produto, processo, mercado ou organizacional) com potencial de gerar valor socioambiental para uma comunidade. A régua e as categorias analíticas de geração de valor socioambiental elaboradas neste estudo permitiram classificar os negócios sociais em termos de sua lógica de atuação (maior ênfase no mercado ou ênfase no social).

Como resultado, evidenciou-se que a maior parte dos empreendimentos sociais com lógica social demonstrou a preocupação de gerar valor socioambiental em diferentes dimensões, porém com foco num determinado local. Para isso, implementam inovações organizacionais em função da capacidade de fazer alianças e parcerias que possibilitem suprir uma falha de mercado. Por outro lado, os empreendimentos com ênfase no mercado indicaram ser mais inovadores, diversificando produtos, preços e canais de distribuição, com potencial de provocar a reconfiguração de seu segmento.

É possível dizer que os negócios sociais têm papéis e contribuições diferentes na proposição de alternativas para um desenvolvimento sustentável: negócios sociais com uma forte orientação social tendem a priorizar uma ação local e buscam gerar valor socioambiental em diferentes dimensões. Sua contribuição é qualitativa com maior profundidade do impacto. No caso de negócios sociais com lógica de atuação de mercado, a contribuição é em termos de abrangência e, portanto, quantitativa e escalável.

Dessa forma, a lógica de atuação social direciona impactos com maior profundidade que proporcionam o desenvolvimento local e a transformação social. Já a lógica de mercado tende a provocar impactos de maior abrangência em dimensões específicas do desenvolvimento sustentável. Por fim, pode-se dizer que há uma grande oportunidade para o desenvolvimento de empreendimentos sociais que conciliem geração de valor econômico com valor social e ambiental de forma unívoca, a fim de contribuir para diminuição da pobreza, mas, também, para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono e com menor uso de recursos (economia circular).



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial