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Aliança pelo Impacto e Pipe atualizam critérios para definição de Negócios de Impacto

Novo estudo propõe características que orientam o ecossistema de impacto. 

Depois de um processo de levantamento de dados, workshops e consultas online para escuta de atores do campo, a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, com a parceria técnica da Pipe.Social, lança o estudo O QUE SÃO NEGÓCIOS DE IMPACTO – Características que definem empreendimentos como negócios de impacto

O novo estudo revisita e atualiza a Carta de Princípios para Negócios de Impacto no Brasil, lançada em 2015. Segundo Diogo Quitério, gestor de programas do ICE e coordenador da Aliança, a pergunta “Quais as características que você usa atualmente para identificar um negócio de impacto?” foi usada como ponto de partida para identificar padrões, consensos, referências globais e termos que precisavam ser debatidos. 

Os conceitos disseminados pela Aliança pelo Impacto têm servido nos últimos anos de referência para pesquisas acadêmicas, chamadas de negócios e editais. Diogo afirma que entre as motivações para revisitar a definição de negócios de impacto estão o crescimento do ecossistema de negócios de impacto socioambiental, o dinamismo do setor e também a pluralidade de atores que o compõem atualmente, se comparado a 2015. 

Para exemplificar, ele cita que de três fundos de investimentos responsáveis pelo capital aportado no campo em 2015, o número passou para ao menos dez, além de institutos e fundações, investidores-anjos, governo e empresas fomentando intencionalmente negócios de impacto. “Esse cenário implica que o entendimento sobre o que são negócios de impacto ganhe mais interpretações e isso é muito interessante numa perspectiva de crescimento dessa agenda.”

O que mudou? O que muda?

Para Lívia Hollerbach, cofundadora da Pipe.Social, entre as motivações para a revisita aos  conceitos que definem negócios de impacto está o surgimento de um ecossistema dinâmico que envolve diversos tipos de negócios e movimentos. “Nos últimos anos, surgiu um movimento global dessa economia alternativa de impacto que pensa em como agregar o conceito de sustentabilidade dentro de empresas, produtos, serviços e atividades econômicas. Entre as empresas B, negócios sociais e inclusivos, negócios da periferia, negócios ambientais e a vontade das empresas de mitigar impacto negativo e agregar impacto socioambiental, estão os negócios de impacto.”

Nesse contexto, a especialista afirma que a conceituação dos negócios de impacto responde à inquietação do ecossistema e dos empreendedores de conseguir ter uma visão mais geral e única do que constitui ou diferencia esse tipo de empreendimento. “Nas palestras que frequentamos, geralmente tem alguém que pergunta: ‘o que eu preciso para ser um negócio de impacto?’. Vale ressaltar que não estamos chamando mais de Carta de Princípios porque não é como uma ‘receita de bolo’. Como trata-se de um mercado emergente e em desenvolvimento, o conceito é muito fluido e varia de acordo com cada ator e organização.”  

Apesar dessa pluralidade do ecossistema, o processo de escuta de organizações, pesquisa e sistematização ajuda, segundo Lívia, a ter uma base única sobre características comuns que definem negócios de impacto para que, a partir dela, cada organização possa desenvolver seu recorte específico. 

Juntos, Aliança pelo Impacto, Pipe.Social e atores do ecossistema de impacto alcançaram  consensos sobre as características gerais de negócios de impacto, além de definir filtros mínimos – o que um negócio de impacto precisa ter para ser considerado como tal -, e filtros qualificadores – as características que seriam desejáveis um negócio ter. 

Diogo Quitério explica que características consideradas na Carta de Princípios de 2015  passaram a ser vistas mais como qualificadoras do que determinantes do que é um negócio de impacto. “Um exemplo disso diz respeito à governança. É claro que esperamos que todos os empreendimentos, na medida em que se estruturem mais, passem a ter espaços de escuta, consulta e reporte com os demais atores envolvidos na sua operação, mas ter uma governança efetiva não é uma característica constituinte de um negócio de impacto.”

Ponto de partida

Para Daniel Izzo, conselheiro da Aliança pelo Impacto e co-fundador da Vox Capital, o estudo O que são Negócios de Impacto pode ser um ponto de partida para quem deseja aprender e começar a atuar no campo. Como um dos pioneiros do investimento de impacto no Brasil, ele defende que investidores tradicionais, além de conhecer os conceitos trazidos pela publicação, devem se mobilizar em prol dos investimentos de impacto.

“Atualmente, no mercado tradicional, o que determina a alocação de capital é um bom fit [encaixe] entre risco e retorno do produto a ser investido. Além desses fatores, o que direciona um investidor de impacto é também o impacto que ele deseja causar.” explica Daniel. “Os investimentos de impacto estão se tornando oportunidades cada vez mais interessantes de atuação, que precisa ser feita com cuidado e intenção real de gerar impacto por meio das alocações. Então, que os investidores tradicionais se juntem, se motivem a fazer parte desse movimento com base no que vão ler na nova publicação da Aliança pelo Impacto, e que procurem ter uma prática que condiga com os conceitos e que venha realmente de um propósito de tornar o mundo melhor.” convida ele. 

Ele também acredita que  “empreendedores que querem começar a atuar com impacto ou que já têm um negócio de impacto podem usar a publicação para saber o que os investidores de impacto avaliam, o que é valorizado e quais perguntas podem ser feitas no momento em que um investidor está avaliando a oportunidade de investimento.”

Na mesma linha, Diogo Quitério afirma que a publicação é um ponto de partida. “A Aliança pelo Impacto espera que, na prática, empreendedores e investidores leiam o estudo  O que são Negócios de Impacto e fiquem confortáveis em partir dessa base comum para criar suas teses para apresentar o impacto que estão buscando gerar na vida das pessoas e do planeta.”

Confira O QUE SÃO NEGÓCIOS DE IMPACTO – Características que definem empreendimentos como negócios de impacto no link http://bit.ly/OquesaoNIs

Processo 

A atualização das características que definem os negócios de impacto realizada pela Aliança pelo Impacto e Pipe.Social  passou por várias etapas: levantamento de conteúdos já publicados em nível internacional; análise do cenário brasileiro; posicionamento institucional de diferentes organizações sobre o conceito de negócio de impacto; workshops com atores do ecossistema com diferentes perfis e consulta aberta online que recebeu 174 respostas.

Para saber mais sobre todo o processo, clique aqui.



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial