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Diálogo com o Campo: Luiza Nascimento e Bettina Barros discutem os desafios da comunicação para o campo de investimentos e negócios de impacto no Brasil

Falta de clareza de conceitos próprios do campo e comunicação insuficiente de cases de sucesso estão entre os gargalos.

O campo de investimentos e negócios de impacto, em franco crescimento no Brasil, traz à tona cada vez mais o desafio da comunicação para a consolidação de uma nova mentalidade. De acordo com o 2º Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental, lançado recentemente pela Pipe.Social, a demanda por apoio à comunicação ocupa o segundo lugar no ranking dos principais pedidos de apoio dos empreendedores brasileiros junto com “parcerias e networking”, ficando atrás somente de “mentoria”.

Outros atores do campo de investimentos e negócios de impacto relatam dores como a comunicação insuficiente de cases e a carência de formadores de opinião falando sobre a agenda. A falta de compreensão das diferenças entre conceitos que fundamentam a temática também atrapalha.

“As pessoas não sabem o que são negócios de impacto, finanças sociais e filantropia e como conversam entre si. Entre investidores, há ainda quem fale que o investimento de impacto vai substituir ou acabar com a filantropia. É preciso uma comunicação eficiente para mostrar a  diferença e o espaço de cada coisa.” comenta Luiza Maria de Camargo Nascimento, associada e membro do Conselho Deliberativo do ICE e investidora em negócios de impacto.

Uma comunicação que supere tais desafios pode contribuir para a solução de outros, como os entraves para o acesso dos negócios de impacto a recursos.

Este é o tema do Diálogo com o Campo deste mês. Ao longo de 2019, como parte das ações em comemoração ao seu aniversário de 20 anos, o ICE propõe este espaço de diálogo entre associados, equipe  e pessoas que fazem parte dessa história e trazem reflexões para sua ação futura. Nessa conversa, Luiza entrevista Bettina Barros, jornalista com vasta experiência escrevendo sobre negócios e sustentabilidade.

Confira a seguir o diálogo na íntegra.

Luiza – Considerando o papel central da comunicação no fortalecimento do tripé de atores que compõem o ecossistema (empreendedores, aceleradoras e incubadoras e investidores) e no engajamento de novos players (investidores tradicionais como bancos e outros atores do mercado financeiro), quais são, na sua avaliação, os principais desafios e as tarefas mais urgentes dessa agenda?

Bettina – A comunicação exerce um papel estratégico nos negócios, independentemente de sua área de atuação, não seria diferente nos negócios de impacto socioambiental. Uma das principais funções da comunicação nesse caso é apresentar à sociedade uma nova abordagem, assim como acompanhar o desenvolvimento e promover reflexões pertinentes ao movimento. Novos conceitos são compreendidos quando explicados e ganham amplitude quando compartilhados. Um clássico business case de sucesso é capaz de inspirar milhares de pessoas se sua história for contada. Revestido de propósitos e comprovadamente lucrativo, o poder disseminador do setor de investimentos e negócios de impacto é ainda maior por dialogar diretamente com os principais anseios e deficiências da sociedade moderna. Quando bem comunicados, os negócios de impacto têm o poder mágico de engajar comunidades, fortalecer atores do ecossistema de impacto social – sejam eles empreendedores, aceleradores, incubadores ou investidores – e trazer ao jogo novos players. Dito de outra forma, comunicar é conectar. Não à toa, esse parece ser um dos verbos mais conjugados nos dias de hoje.

Luiza – Como superar os desafios postos à comunicação do campo de investimentos e negócios de impacto, dada a complexidade do tema e a necessidade de uma comunicação mais clara, objetiva, acessível e engajadora? Que formatos, ferramentas e outros elementos você considera essenciais nesse sentido?

Bettina – Não existe comunicação se ela não for clara e objetiva. São premissas básicas. Se você não entende o que eu estou falando, não irá se conectar. Há hoje no mercado uma série de formas de passar uma mensagem, desde matérias na grande imprensa – ainda uma ferramenta importante de informação – até canais digitais específicos e os recursos que eles permitem. Blogs, podcasts, vídeos, infográficos, mídias sociais, todos têm o seu valor, dependendo do público que se quer alcançar. Jornalistas experientes ou youtubers/influencers? Com critério e compreensão do público-alvo, nada nem ninguém deve ser descartado.



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial