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Encontro de Justin Rockefeller com famílias de alta renda debate investimento de impacto

Com o objetivo de estimular o debate sobre investimentos que unem retorno financeiro e propósito, o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) realizou dia 31 de maio um encontro com Justin Rockefeller para a reflexão sobre o interesse e oportunidades para famílias de alta renda investirem em produtos financeiros que busquem impacto social e retorno financeiro. O encontro reuniu cerca de cinquenta investidores, gestores de investimentos de bancos e associados do ICE.

Justin Rockefeller, do Rockefeller Brothers Fund, é co-fundador da The Impact, rede de Family offices, fundações e empresas comprometidos com a alocação de investimentos em negócios que aumentam a probabilidade e o ritmo de solução de problemas sociais. Ele é também diretor global de Family Offices e fundações familiares na Addepar, empresa de gestão de investimentos em tecnologia do Vale do Silício, que tem se destacado na capacitação de investidores para navegar no mundo cada vez mais complexo das finanças, que agora inclui impacto social agregado à análise de retorno financeiro e risco.

Justin Rockefeller veio ao Brasil acompanhado pela CEO da The Impact, Abigail Noble. Ambos falaram aos participantes sobre como os empreendimentos familiares podem fazer mais investimentos de impacto de forma eficaz.

Segundo a The Impact, a expressão investimento de impacto refere-se a estratégias que incorporam ativamente fatores sociais e ambientais nas decisões de investimento. A estratégia de investimentos de uma família tende a ser função das motivações da própria família e das entidades nas quais ela está investindo. Cada uma das forças motivadoras pode inspirar tipos diferentes de investimentos de impacto.

Entre as principais motivações para que as famílias façam esse tipo de investimento estão:

  • Motivação 1 – alinhamento de valores: famílias desejam alinhar seus investimentos com os seus valores sociais e ambientais, e querem se sentir orgulhosas dos investimentos que fazem, minimizar os danos e maximizar o bem que seus investimentos criam no mundo.
  • Motivação 2 – impacto social e ambiental levam à melhor performance no longo prazo. Esta motivação é fruto da convicção de que impacto social e ambiental levam à melhor performance no longo prazo. As famílias acreditam que fatores sociais e ambientais são os principais motores de mitigação de risco de investimento e de sucesso. Elas também acreditam que se investirem em empresas que respondem proativamente a fatores sociais e ambientais críticos, como as mudanças climáticas, a desigualdade econômica e a escassez de recursos, irão superar as empresas que apresentam atrasos na resolução dessas questões.
  • Motivação 3 – usando os negócios para enfrentar os desafios ambientais e sociais específicos. As famílias desejam cada vez mais investir em negócios que enfrentem desafios ambientais e sociais específicos. Elas estão seguras de que o dinamismo dos negócios e a escala dos mercados de capitais podem ajudar a enfrentar esses desafios.

A análise da The Impact mostra que as motivações de uma família moldam os objetivos definidos para seus investimentos de impacto.  Algumas famílias fixam objetivos muito específicos, por exemplo, investir para curar determinado tipo de câncer ou para estimular o desenvolvimento sustentável de um bairro economicamente desfavorecido.  Os objetivos também podem ser muito amplos ou múltiplos: reduzir a volatilidade da carteira de longo prazo sobre um truste de várias gerações ou reduzir a exposição de investimento de uma família aos combustíveis fósseis sem comprometer retornos financeiros.

Os investimentos de impacto diferem dos convencionais pelo fato de terem uma estratégia identificável e intencional para a criação de impacto social e ambiental, e porque o retorno financeiro pode ser atípico em relação aos cálculos de risco e retorno padrão.  De acordo com a The Impact, as famílias estão fazendo investimentos de impacto em diversas classes de ativos: ações públicas (public equity), renda fixa, venture capital/private equity, ativos imobiliários e ativos reais (real assets) e títulos de impacto social (SIB – Social Impact Bonds).

No que se refere aos rendimentos, uma série de estudos realizados por instituições acadêmicas e financeiras, citados pela The Impact, verificaram que as empresas que se concentram nos aspectos ambientais, sociais e de governança mais relevantes para sua área superam os concorrentes que não gerenciam cuidadosamente os mesmos fatores. Em mercados privados, a Cambridge Associates e a Global Impact Investing Network publicaram estudo sobre o retorno financeiro de fundos de private equity focados no impacto, que é comparável ao dos fundos convencionais.

No caso de fundos com menos de US$ 100 milhões e de fundos focados em mercados emergentes, empresas focadas no impacto superaram suas congêneres convencionais.

Fazer investimentos de impacto não exige que os investidores sacrifiquem retorno financeiro.  Segundo a The Impact, alguns investidores realizam investimentos com retorno financeiro esperado inferior ao dos investimentos convencionais na mesma classe de ativos, setor e área geográfica. Fazem isso porque investir com retorno menor pode permitir que eles atinjam seus objetivos de impacto, como ajudar organizações sem fins lucrativos a escalar seu impacto ou desenvolver mercados para conceitos até então pensados como impossíveis de se investir. Fundações, por exemplo, emprestam regularmente para provedores sem fins lucrativos na área de habitação a taxas inferiores às de mercado.  Outros investidores buscam retornos iguais aos de mercado. Para a The Impact, “a conclusão é clara: os investidores de impacto autodeclarados buscam uma gama de perfis de retorno nos seus investimentos, dependendo da classe de ativos, áreas geográficas, estratégias de impacto que se encaixam em seus objetivos, necessidades e limitações, e as oportunidades de investimentos disponíveis para eles no mercado”.



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial