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Escolas de Impacto: a mudança vem de dentro para causar impacto positivo fora

Instituições de Ensino Superior no Brasil começam a se engajar em movimento global em torno de inovação e empreendedorismo social. O 4o Encontro Nacional da Rede do Programa Academia do ICE promoveu troca de aprendizados e experiências.

A sessão “Escolas de Impacto”, promovida durante o 4o Encontro Nacional da Rede do Programa Academia do ICE,  reuniu o movimento na América Latina, a partir da experiência do Tecnológico Monterrey e as experiências  de instituições brasileiras que atuam no Commons – programa de desenvolvimento profissional da Ashoka U voltado a professores e colaboradores de universidades.

Para Waldo Soto, representante da Ashoka U, a principal barreira para o avanço na direção da expansão do movimento está na falta de reconhecimento institucional e político em relação à inovação social. Desde 2008, a Ashoka U – rede global que engaja 150 faculdades e universidades – concede  a designação Changemaker Campus (Universidade Transformadora em tradução livre) para  reconhecer instituições que incorporaram a inovação social como um valor fundamental e podem demonstrar como criaram ambientes capazes de produzir mudanças.

O caminho percorrido pelo Tecnológico de Monterrey

Violeta Sandoval, diretora de formação e empreendedorismo social do Tecnológico de Monterrey, instituição situada em Guadalajara, no México, compartilhou a experiência da instituição como  primeiro Changemaker Campus nomeado no país e na América Latina em 2011.

A renovação da designação em 2017 exigiu a verificação de que a instituição é  capaz de conectar bons projetos envolvendo alunos e infraestrutura ao trabalho com comunidades, demonstrando como o ambiente  acadêmico interage com o ambiente externo.

“Os estudantes têm uma vida dentro e fora da universidade. Entendemos que nosso objetivo é transformá-los em agentes de mudança. Temos que criar condições para que possam gerar com as comunidades o compromisso de mudar positivamente o ambiente. Dessa forma, habilidades como empatia, colaboração, trabalho em equipe e pensamento sistêmico são fortalecidas”, destacou Violeta.

Além do diálogo e convergência entre a comunidade acadêmica e seu entorno, para a educadora , há outros elementos-chave para o sucesso no caminho de uma Escola de Impacto: a vontade institucional de promover inovação social, o alinhamento e comprometimento por parte da gestão da instituição, a conexão com a realidade, uma visão global e uma ação local, bem como articulação e relações de reciprocidade com os atores do ecossistema.

As boas experiências brasileiras com o Commons

Mari Regina Anastácio, professora responsável pela área de sustentabilidade do Núcleo de Empreendedorismo, Inovação e Sustentabilidade da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), dividiu com o grupo a experiência da instituição, que nos últimos 20 anos tem trabalhado pela institucionalização do tema de empreendedorismo e inovação social.

Entre os resultados destacam-se a certificação de estudo, com disciplinas sendo implementadas no próximo semestre; extensão; realização de duas oficinas para os docentes da PUC-RS; contato com instituições em comunidades em situação de vulnerabilidade social para estabelecer vínculos; além do Programa Empreendedorismo Social no parque tecnológico Tecnopuc.

Apesar de desafios que marcam o atual cenário político e institucional, como as incertezas acerca das políticas de governo, o excesso de burocracia e a sobrecarga de atribuições, por exemplo, a professora Mari Regina  é otimista, tendo em vista o interesse das agências de fomento por pesquisas de impacto e nas certificações internacionais, elementos que para ela se abrem como janelas de oportunidades a serem exploradas pelo campo.

A Universidade Católica de Pernambuco também pode compartilhar os resultados de sua experiência com o Commons. Merecem destaque a realização do primeiro seminário de apresentação do projeto de Inovação Social e a implantação do Laboratório de Inovação, Criatividade e Empreendedorismo.



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial