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Fórum amplia alcance e busca ‘estourar’ bolhas

Desde a primeira edição do Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, em 2014, muita coisa mudou no campo. E a edição de 2018 reflete bem essas mudanças. É o que dizem representantes dos três organizadores do evento – Célia Cruz, do Instituto Cidadania Empresarial (ICE); Daniel Izzo, do Vox Capital; e Henrique Bussacos, do Impact Hub.

“Na primeira edição do fórum, em 2014, tivemos 25 palestrantes internacionais e 60 brasileiros. Vimos o crescimento das pessoas na área, num outro lugar de fala, com projetos mais concretos, e o resultado é que agora esperamos, para essa edição de 2018, apenas seis palestrantes estrangeiros e 150 brasileiros”, diz Célia Cruz, apontando o crescimento e amadurecimento do setor no país.

“Há dois anos ainda se tinha dos grandes atores – sejam eles financeiros, sejam corporativos –uma tentativa deentender se aquela iniciativa ou aquele investimento de impacto era para eles ou não. Hoje estamos num momento em que todos eles sabem que, de uma forma ou de outra, vão ter que se engajar, criar condições, falar de negócios de impacto. Tivemos avanço no nível de conhecimento e de relevância, e embora não esteja refletido na prática ainda, acho que teremos uma ‘explosão’ de atividades nos próximos anos, seguindo o aumento do interesse”, avalia Daniel Izzo, do Vox Capital.

Um outro destaque assinalado por Célia Cruz é que o fórum, do ponto de vista da ampliação do capital para o campo, inclui, além dos fundos de investimento de impacto, outras modalidades de capital, trazidas por institutos, fundações, governo, family offices, pessoas físicas – como crowdfunding e crowdlending –, e organismos multilaterais.

Essa ampliação é também destacada por ela no que diz respeito ao ecossistema de negócios de impacto e finanças sociais: “Em 2018, temos um movimento maior que inclui grandes empresas, instituições financeiras, hubs, governo, institutos e fundações, incubadoras, academia, além dos fundos, aceleradoras e empreendedores. E todo esse movimento brasileiro participa também de um cenário global.”

O número de negócios de impacto social também cresceu e ficou mais palpável no país, a partir de iniciativas como o Mapeamento de Negócios de Impacto Social no Brasil – realizado pela Pipe Social -, e iniciativas do PNUD e do Sebrae. “Começamos a ter uma clareza maior doa quantidade e do perfil desse tipo de negócio no país e qual o volume de capital e tipos de investidores que eles estão buscando”, avalia Célia.

Daniel Izzo diz que o público pode esperar debates sobre o que se tem de mais atual acontecendo no Brasil, com importantes segmentos do mercado discutindo e trazendo reflexões. A programação está organizada em quatro grandes trilhas subtemáticas: meio ambiente, governo, negócios periféricos e corporativo. “Vamos conseguir aprofundar a intersecção e perceber como os negócios de impacto e as finanças sociais estão ajudando, como esses grupos estão se envolvendo com esses temas”, completa.

Henrique Bussacos, do Impact Hub, destaca a expansão da temática para outras regiões do país além do eixo Rio-São Paulo, em especial a partir da atuação do SEBRAE e do próprio Impact Hub, agora presente em todas as regiões do Brasil. “Esse movimento vem se intensificando, e foi uma preocupação da organização do evento, que estabeleceu dez linhas de apoio, de R$ 10 mil cada, para apoiar iniciativas que queiram replicar o modelo e promover fóruns regionais.”

Outra diferença importante entre a edição anterior do fórum e a atual destacada por ele é a criação da ENIMPACTO, a Estratégia Nacional de Impacto, que colocou o tema na pauta do governo federal, com desencadeamento para diversas outras esferas de governo, e com um plano de dez anos.
“Estamos também investindo bastante esse ano no que estamos chamando de ‘furar algumas bolhas’. Atrair mais atores para o campo para expandir nossa perspectiva, incluir mais visões e com isso encontrar novas possibilidades para o campo se fortalecer e se expandir.”

Nesse sentido, o fórum busca promover o diálogo com quatro ‘bolhas’: Estado; grandes empresas; meio ambiente; periferia, raça e gênero. “A grande novidade é olhar essas trilhas, entender como a organização, ou empreendedor, dialoga com esses atores, e buscar sair dali com mais parcerias, conexões, com um olhar mais sistêmico. Porque a transformação do campo passa ao mesmo tempo por várias mudanças: mais capital, mais negócios, mais intermediários, ambiente de regulação mais favorável”, diz Célia.

Henrique destaca a inovação das dinâmicas escolhidas para o fórum em 2018, com rodas de conversa, buscando um ambiente mais descontraído e de trocas. No Rooftop haverá um Pop-Up Hub: “Vamos recriar a experiência do Impact Hub, de conectar pessoas, porque cada vez mais percebemos que as pessoas vão aos fóruns e outros espaços muito mais para encontrar outras pessoas, trocar ideias e construir coisas, não só receber conteúdo. Acho que a nossa intenção é aproveitar o fato de conseguir reunir 800 pessoas atuando no campo para criar coisas juntos, buscar soluções, e não ser simplesmente promover um download de conteúdo para essas pessoas.”

Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto
06 e 07 de junho
Complexo Aché Cultural
Inscrições até 01/06 em www.investirparatransformar.org.br



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial