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Série Portfólio ICE-BID: a tecnologia como meio de enfrentar a crise e o novo coronavírus

Na quinta matéria da série, confira como 4YOU2 e Beone têm respondido à crise com inovações que têm em comum manter o impacto social de seus negócios. 

A tecnologia tem um papel fundamental para o desenvolvimento do campo dos negócios de impacto social. Essa realidade ficou ainda mais aparente frente à pandemia da Covid-19, que tem exigido soluções inovadoras e respostas emergenciais aos desafios enfrentados pela sociedade e pelos próprios negócios.

Importante na hora de escalar o impacto e democratizar o acesso às soluções, a tecnologia tem marcado presença também na adaptação desses negócios ao contexto atual. Muitos dos planos emergenciais implementados pelos empreendedores de impacto para se ajustar às novas demandas e manter a vida dos negócios são respostas que já estavam em gestação com vistas a solucionar desafios mapeados anteriormente. Seja antecipando planos ou se adaptando ao contexto, o campo tem protagonizado a agenda de respostas e soluções aos efeitos da crise em áreas como educação e saúde.

É o caso de 4YOU2 e Beone, dois dos negócios apoiados pela parceria entre o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do BID Lab. Atuantes em áreas distintas, os empreendimentos têm se somado aos esforços para contribuir com soluções para os desafios e efeitos da pandemia da Covid-19.

 

Do analógico ao digital

A 4YOU2 foi um dos negócios que teve que responder rapidamente à crise e viu na base tecnológica construída antes da pandemia uma solução para adaptar o negócio às necessidades em tempos de distanciamento social.

O objetivo do negócio, que oferece ensino da língua inglesa a pessoas com menor poder aquisitivo, é democratizar o acesso ao ensino da língua por meio de aulas com professores estrangeiros a um custo menor que o praticado pelo mercado tradicional.

A 4YOU2 foi um dos primeiros negócios de impacto do Portfólio ICE-BID a reagir ao contexto de pandemia. O fato de trabalharem com professores dos Estados Unidos e de países da Europa antecipou a percepção da gravidade do cenário e fez com que suspendessem rapidamente as aulas presenciais.

Gustavo Fuga, fundador e CEO da 4YOU2, conta que o aporte proporcionado pela parceria ICE-BID teve um papel fundamental na construção da estrutura tecnológica que, agora, possibilitou uma reação rápida com a chegada da pandemia ao Brasil.

“O recurso nos ajudou a dar um salto na nossa metodologia e no desenvolvimento do nosso produto com a substituição dos livros pelo aplicativo que desenvolvemos após a Chamada.”

Para Samir Hamra, gestor de programas do ICE, se, por um lado, a transição apresenta o desafio da democratização do acesso a internet de qualidade pelas populações mais vulneráveis, que são o foco do negócio, por outro, a estrutura tecnológica construída antes da pandemia possibilitou a manutenção do aprendizado, que é seu principal objetivo.

Para o horizonte futuro, a 4YOU2 projeta a expansão do negócio para responder ao desafio que promete se intensificar: o acesso a uma educação de qualidade por parte das populações mais vulneráveis, especificamente por meio do ensino de inglês.

 

Expandindo soluções em saúde

A missão da Beone é tornar acessíveis ao maior número de pessoas tecnologias de ponta na área da medicina. A startup é fruto de uma pesquisa desenvolvida na Escola de Medicina da Universidade Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

A pesquisa deu origem ao ISIS, dispositivo que atua no tratamento do ‘pé diabético’ por meio de fotobiomodulação, que tem ação cicatrizante, analgésica, anti-inflamatória, bactericida e bacteriostática ao mesmo tempo.

Caio Guimarães, CEO da Beone, explica que o dispositivo já resultou na cura de feridas em estágio avançado e com prognóstico de amputação no prazo de até dez semanas.

Antes de participar da chamada promovida pela parceria ICE-BID, a Beone tinha apenas um protótipo rústico do dispositivo que era usado para ensaios clínicos. O aporte financeiro possibilitou toda a estrutura de certificação e registro, o desenvolvimento da engenharia e a contratação dos parceiros para a produção do dispositivo para o mercado da saúde.

“O recurso foi o primeiro aporte que recebemos e foi essencial como chancela para outros investidores”, conta Caio.

A chegada da pandemia da Covid-19 ao Brasil impossibilitou a conclusão do processo de certificação, o que fez com que a Beone tomasse a decisão de utilizar sua infraestrutura e teia de parceiros para uma resposta emergencial que se some aos esforços de enfrentamento à doença na área da saúde.

Uma das iniciativas nesse sentido contempla a fabricação de um equipamento para esterilização de EPIs, sobretudo máscaras N95, que são as recomendadas para uso pelos profissionais da saúde e estão em falta no mundo todo. Por meio de radiação ultravioleta UVC, o dispositivo permite a reutilização do equipamento.

“O dispositivo permite eliminar 99,9% dos vírus, bactérias e fungos sem interferir no desempenho das máscaras. Cada ciclo dura de cinco a dez minutos e permite a esterilização de 15 a 18 máscaras. O equipamento custa cinco mil reais, a máscara em torno de 22 reais a unidade. Então, em menos de uma semana a aquisição está paga e proporciona segurança aos profissionais e aos pacientes”, explica Caio.

Além do dispositivo para esterilização, a Beone tem ainda outro projeto à disposição de interessados em contribuir com instituições de saúde por meio de doação. A iniciativa consiste na fabricação de ventiladores pulmonares de baixo custo. Desenvolvido pela Universidade de São Paulo em parceria com o Hospital das Clínicas (HC), o projeto está disponível em formato aberto, ou seja, permite que qualquer instituição interessada implemente a fabricação dos equipamentos.

No caso da Beone, Caio explica que a ideia é, mais uma vez, colocar a infraestrutura do negócio à disposição do combate à pandemia.

“Tanto para a fabricação do equipamento de esterilização, quanto dos ventiladores, estamos em busca de potenciais patrocinadores e doadores. Nesse modelo, a instituição ou indivíduo doa o recurso, viabilizando a fabricação e a entrega para a instituição de saúde. Temos a fábrica e toda capacidade e estrutura para executar os projetos.”

 



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial