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Setor público e Ensino Superior são chave em ecossistemas regionais e locais

Políticas públicas voltadas a responder aos desafios das organizações dinamizadoras, bem como maior integração entre o que é desenvolvido e pensado na Academia e o universo empreendedor podem fazer avançar o setor.

A grande maioria dos levantamentos e pesquisas mostra maior concentração de atores do ecossistema de investimentos e negócios de impacto nas regiões Sul e Sudeste, sobretudo no eixo Rio-SP.

Sheila Pires, que por 19 anos dirigiu a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e atualmente é subsecretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, explica que esse é um cenário comum para inúmeros setores, considerando que são regiões onde há maior concentração de riqueza e desenvolvimento industrial.

Ela aponta, entretanto, que há alguns anos, essa realidade começou a mudar com o aumento não só de empreendimentos em outras regiões, mas também de organizações dinamizadoras e investimentos. A partir da criação da ENIMPACTO (Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto), em 2017, hoje seis estados contam com a estratégias subnacionais de investimentos e negócios de impacto aprovadas por lei. Três na região Nordeste (Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco), dois no Sudeste (Rio de Janeiro e Minas Gerais), mais o Distrito Federal). A região Sul ainda não tem nenhuma estratégia aprovada.

A subsecretária reforça a importância das políticas públicas não apenas para viabilizar a criação e implementação de incubadoras, aceleradoras e outras organizações dinamizadoras do campo em diversas regiões do país, mas também para atrair investimentos para outros estados, com maior oferta de capital a organizações de apoio a empreendimentos de impacto (OEIs).

“À medida que tivermos mais empreendedores entendendo o que é impacto e a importância dos negócios para o desenvolvimento das localidades, teremos maior número de empreendimentos. Por sua vez, mais empreendimentos geram uma demanda, que faz pressão para que surjam mais organizações que apoiam esse tipo de empreendimento, além de despertar o interesse de prefeituras, governos de estado, universidades e associações sobre a importância de organizações que ajudem a dinamizar o ecossistema a partir do apoio a negócios de impacto”, comenta.

Escolas de inovação e impacto social positivo

Parte importante do conhecimento sobre o campo que tem sido produzido no país vem de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas espalhadas por todo o Brasil.

O programa Academia ICE, por exemplo, demonstra essa potência: sua rede conta com mais de 130 professores e cerca de 50 IES desenvolvendo ações de pesquisa, ensino e extensão voltadas à agenda de investimentos e negócios de impacto.

“Em 2020, setenta e sete pesquisas foram realizadas por 42 professores da rede em 2020. Número recorde desde o primeiro monitoramento realizado em 2016. E os professores orientaram 72 pesquisas de estudantes da Graduação ao Pós-Doc.” conta Fernanda Bombardi, gerente executiva do ICE.

Para a gerente, quanto maior a integração entre o que é desenvolvido e pensado na Academia e o universo empreendedor, mais relevante se torna seu papel como dinamizador do ecossistema. “O que é investigado e sistematizado nas universidades sobre a jornada empreendedora, desde o momento em que o empreendedor ainda é estudante, também pauta os outros atores do ecossistema.”

Na mesma direção, Sheila reforça a importância da conexão e proximidade com o ambiente do empreendedorismo e os desafios sociais e ambientais no âmbito municipal, estadual e até mesmo regional. “Aproximar as universidades do seu entorno é transformar o que está sendo estudado e pesquisado em algo aplicável e útil para a comunidade onde a instituição está inserida, transformando alguns projetos em negócios.”

Incentivos e gestão do impacto 

Apesar da aprovação de planos subnacionais dedicados a olhar para negócios de impacto, a janela de oportunidade para a criação de políticas de apoio a esses negócios ainda é grande. Quando o olhar é ampliado para as organizações de apoio a empreendimentos de impacto, Sheila observa  que a questão é ainda mais desafiadora.

A subsecretária explica que o Brasil já experimentou épocas de mais recursos, investimentos e políticas voltadas ao apoio a incubadoras e aceleradoras.

“Precisamos retomar políticas públicas que apoiem as organizações dinamizadoras no custeio e manutenção do seu dia a dia. Defendo que esse subsídio seja concedido mediante performance. Ou seja, que exista uma pactuação de metas e resultados que a organização precisa alcançar em determinado período”, conclui.

Nesse sentido, um importante desafio diz respeito à mensuração do impacto gerado pelos negócios apoiados, questão sobre a qual ainda não há consenso, o que é prejudicial tanto para os próprios empreendimentos e investidores, como para as organizações que os apoiam.

Pensando nisso, nos últimos três anos, o ICE tem buscado aprimorar o monitoramento e a comunicação do impacto positivo entregue pelos negócios em seu portfólio de investimentos. O documento Gestão de Impacto – Práticas e ferramentas para investidores de negócios de impacto compila as práticas do Instituto e de mais nove atores do ecossistema para  mensuração e avaliação do impacto de suas empresas investidas, avaliando parâmetros como uso de ferramentas próprias ou de mercado para gestão de impacto, frequência de monitoramento e divulgação de relatório de impacto. Confira os principais destaques neste link.


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ICE – Instituto de Cidadania Empresarial