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SITAWI e Vox Capital lançam novos instrumentos que democratizam acesso a investimentos de impacto

Plataforma de empréstimo coletivo e clube de impacto permitem que pessoas físicas invistam em negócios de impacto nos modelos de equity crowdfunding e peer-to-peer.

De acordo com o 2º Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental, lançado em março de 2019, a demanda por investimentos permanece como a principal queixa dos empreendimentos. Oitenta e um por cento  dos 1.002 negócios pesquisados estavam captando e 60% dos 356 negócios que detalharam os mecanismos de captação utilizados mencionaram doação.

Em contrapartida, a pesquisa – considerada uma fotografia do ecossistema de impacto brasileiro – desvela um universo particular. São diversas as fontes e mecanismos que despontam como soluções inovadoras para alavancar recursos financeiros públicos e privados para o setor. 

Formatos inovadores para investimento configuram a Recomendação nº 11 da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, que integra um conjunto de 15 recomendações prioritárias para o fortalecimento desse  ecossistemano Brasil. A recomendação menciona especialmente alternativas de financiamento voltadas a empresas em estágio inicial de operação, que não contam com muitas opções e, por isso, apresentam elevada taxa de mortalidade.

Plataforma de Empréstimo Coletivo

Essa lacuna começou a ser preenchida em vários países por plataformas digitais voltadas à captação de recursos. Novas  ferramentas que permitem a pessoas físicas fazer investimentos em empresas de forma coletiva, seja via participação acionária (equity crowdfunding), seja via cessão de dívida (peer-to-peer ou P2P lending, também chamado de crowdlending).

É o caso da Plataforma de Financiamento Coletivo, lançada recentemente pela SITAWI Finanças do Bem em parceria com o Instituto Sabin, que permite que pessoas e organizações invistam diretamente em negócios de impacto socioambiental positivo.

Em sua primeira rodada, os interessados podem pesquisar o perfil, impacto e projeções financeiras de cinco negócios selecionados pela SITAWI (Up Saúde, Orgânicos in Box, CoopSertão, Stattus 4 e Inteceleri) e investir no que escolherem com valores a partir de R$ 1 mil. A escolha dos negócios levou em conta aspectos como crescimento, sustentabilidade financeira, impacto e liderança.

Os negócios usarão o dinheiro para alavancar suas operações e pagarão juros de 1% ao mês pelo empréstimo. Em até 24 meses, os investidores terão recebido de volta todo o capital emprestado acrescido dos juros. A operação é realizada por meio do modelo de P2P lending (o investidor sabe para qual negócio está emprestando) em parceria com a CapRate.

Lançada em junho, a iniciativa já ultrapassou R$ 1 milhão em empréstimos. Dois dos cinco negócios já alcançaram sua meta, bem antes do fim do prazo para captação em 12 de agosto. Nos próximos meses, novos negócios entrarão na plataforma, o que pode levar à captação de até R$ 2,5 milhões.

“Segundo a pesquisa da Pipe.Social, metade dos negócios que estão captando necessita de tickets entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, volume que é muito grande para microcrédito ou financiamento dos próprios empreendedores e ainda pequeno para fundos de venture capital ou dívidas estruturadas”, explica Andrea Resende, gerente de investimento de impacto da SITAWI.

Ela observa que a modalidade não só permite a entrada de investidores do varejo no investimento de impacto, como também propõe um instrumento que se assemelha à dinâmica da renda fixa, com retornos mensais de juros, mais próxima da realidade desse tipo de investidor. “Dessa forma, os investidores podem investir seu dinheiro de forma consciente em empresas que geram impacto socioambiental positivo com condições de pagamento pré-definidas.”

Clube de Impacto

Outra ferramenta inovadora que amplia o acesso aos investidores interessados em negócios  de impacto é o Clube de Impacto, da VOX Capital. No modelo de equity crowdfunding, o instrumento permite o investimento, ao lado da Vox Capital, em startups com alto potencial de gerar impacto socioambiental e retorno financeiro. A Vox seleciona, avalia e é a primeira investidora em todos os negócios recomendados, entrando nos mesmos termos que os demais investidores. Após o investimento, a Vox apoiará o crescimento de cada startup para maximizar as chances de sucesso dos investidores.

O primeiro negócio selecionado é a Diaspora.Black, que atua no marketplace de turismo para promoção da igualdade racial como a principal comunidade de turismo afro do Brasil reunindo anfitriões e viajantes que amam a cultura negra e buscam viver experiências autênticas e inesquecíveis em suas viagens.

“Produtos e serviços com protagonismo negro têm transformado indústrias. Sucessos como o do filme Pantera Negra ou da Beleza Natural – marca especializada em produtos para cabelos crespos e ondulados – comprovam que há uma forte demanda reprimida. Acredito que essa seja uma relevante oportunidade de investir em empreendedores extremamente comprometidos e apoiados pelas principais aceleradoras de negócios do Brasil”, afirma Gabriela Chagas, gestora do Clube de Impacto da VOX Capital.

Além de ampliar o acesso a empreendedores e investidores, selecionando e investindo junto nos negócios, Gabriela explica que a ferramenta tem um diferencial: fazer parte de uma rede potente para a qual são oferecidas oportunidades exclusivas. “Não queremos apenas o dinheiro, mas formar investidores de impacto.Todos os membros do Clube de Impacto terão acesso a produtos exclusivos como um podcast mensal em primeira mão, outras oportunidades de investimento e participação em eventos”, explica.

Democratização do acesso

O chamado investidor de varejo, apesar de compor o maior volume de contas no Brasil e em conjunto ter um volume de recursos aplicados de R$ 1,7 trilhões, tem pouco acesso ao investimento de impacto. Plataformas de investimento coletivo democratizam o acesso e se tornam uma opção viável para investidores com esse perfil.

“Criamos o Clube para democratizar o investimento de impacto. Nossa proposta é gerar mais investimentos com tickets menores, focados cada vez mais em negócios iniciais. Estamos usando a estrutura do equity crowdfunding, que se consolidou ano passado após a instrução da Comissão de Valores Mobiliários e já chegou a quase R$ 50 milhões captados.”

Andrea observa que, para democratizar o investimento de impacto, é preciso ampliar a oferta de produtos para pessoas físicas, além de um acompanhamento dos empreendedores durante o período do empréstimo.

“Na plataforma da SITAWI é possível investir em várias organizações de forma transparente e com a curadoria e coinvestimento da SITAWI, o que minimiza o risco para os investidores pessoas físicas”, observa.

As novas ferramentas refletem também o aumento de consciência sobre o propósito e o impacto dos investimentos. Da mesma forma que existe uma crescente busca por alinhamento entre propósito pessoal e vida profissional, começa a procura por investimentos relacionados a causas sociais e ambientais. “A sociedade e, cada vez mais, as novas gerações demandam respostas sobre o que o seu consumo, trabalho e investimentos estão gerando. Isso tem um poder imenso”, afirma Andrea.



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial