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Din4mo analisa perfil dos investidores de equity crowdfunding

A pesquisa “Investidores de Equity Crowdfunding”, conduzida pela consultoria Din4mo envolvendo um universo de 4 mil pessoas cadastradas na plataforma equity crowdfunding Broota, mapeou o perfil dos investidores, analisou o tipo de negócio que desperta mais interesse e identificou as principais demandas relacionadas ao processo de investimento e a percepção sobre o impacto social.

A pesquisa analisou as respostas de 362 cadastrados na plataforma Broota, organização pioneira no Brasil, que auxilia o financiamento de negócios conduzidos por startups. A iniciativa está alinhada com a atuação da Din4mo, consultoria focada em alavancar as chances de sucesso de startups de negócios sociais por meio do Programa Inovadores de Impacto.

Sobre a importância do impacto social, apenas 5% acreditam que a existência desse fator é mais importante que o retorno financeiro. Porém, para 54% dos investidores, o impacto social positivo é tão importante quanto o financeiro. Embora seja um conceito recente no Brasil, o equity crowdfunding – modalidade de financiamento coletivo que tem democratizado o acesso de investidores a startups – mostra um potencial significativo de expansão. No exterior, Inglaterra e Estados Unidos destaca-se como líder no modelo.

A pesquisa revelou que 70% dos entrevistados têm menos de 40 anos e que 92,5% são do sexo masculino. Entre os que já investiram na modalidade, 62% fizeram pós-graduação. Segundo a pesquisa, 11,9% possuem mestrado acadêmico ou doutorado; 34,5% têm ensino superior; 50% MBA ou mestrado profissional; e apenas 3,6% contam apenas com ensino médio. Diversificam seus investimentos entre fundos de investimento, moeda estrangeira, ouro e imóveis e apontam que o valor do investimento pretendido na modalidade de equity crowdfunding vai de R$ 5 mil a R$ 10 mil. O prazo de investimento ideal varia entre três e cinco anos: entre os que já investiram na modalidade, 34% preferem esse período de tempo; e entre os que ainda não investiram, embora inscritos na plataforma, 31% também preferem esse prazo.

Em relação à situação ocupacional, a análise do perfil mostra que 43% dos que já investiram em equity crowdfunding atuam predominantemente como empreendedores ou investidores: 37,3% trabalham em empresa privada como sócios; 26,2% trabalham em empresa privada com carteira assinada; 12,4% são autônomos ou profissionais liberais; e 9,7% são funcionários públicos.

“Uma enorme oportunidade de bons negócios”

Segundo Haroldo Torres, sócio-fundador da Din4mo e também coordenador da pesquisa, a plataforma Broota traz uma enorme oportunidade de bons negócios, que podem ser acessados diretamente por pessoas de diferentes perfis e interesses. O especialista observa que o papel dos sindicatos de equity crowdfunding nas plataformas – formados por investidores líderes que estruturam e coordenam uma oferta –, como o da Din4mo, é de suma relevância para acelerar a cocriação do processo de desenvolvimento e amadurecimento desta indústria. “Esse modelo tem auxiliado no fortalecimento de uma cultura de investimento responsável e atrai um capital novo e promissor para um segmento normalmente negligenciado pelos bancos”, afirma Torres.

Frederico Rizzo, cofundador do Broota, comenta que é interessante notar que o investidor de crowdequity é em grande parte também um empreendedor. “Entre os que investiram, 37% trabalham como sócios de empresas; essas pessoas entendem a importância de retribuir para o ecossistema e possuem interesse genuíno em se conectar com inovações, em especial àquelas com impacto social positivo”, afirma Rizzo.

Rizzo acrescenta que outro ponto que ficou evidente com a pesquisa foi a carência de informações sobre equity crowdfunding. “O investimento em empresas de capital fechado, o chamado private equity, sempre esteve restrito a investidores institucionais ou altamente qualificados. Por isso, não é de se espantar que o principal motivo pelo qual os entrevistados revelaram não terem investido em startups se deve à falta de informação sobre esta nova modalidade de investimento. Isso reforça a importância de educarmos o ecossistema por meio de criação de conteúdos e eventos de capacitação”, salienta.

Potencial de crescimento e escala

Entre os que já investiram em equity crowdfunding, 23,3% acreditam que o potencial de crescimento e escala das startups são atributos desejados e determinantes para investir; 16,7% apontam a participação de outros investidores ou de empreendedores que já conhecem; 8,4% o estágio de desenvolvimento do negócio; e 8,1% a presença de um investidor de confiança.

Entre os entrevistados, 73% declararam não ter um setor de atividade preferido, mas 48% se interessam por negócios que envolvem tecnologia. Sobre os atributos do investidor-líder (ou sindicato), a pesquisa mostra que a experiência do âncora e o relacionamento deste com as startups são os fatores mais relevantes na decisão de investir. Entre os que já investiram em equity crowdfunding, 36% destacam a experiência desse profissional da área de investimento; 16% a competência analítica financeira para avaliar a oferta; 15% evidências de engajamento real com a startup; 14% a experiência no setor de atuação da startup; 11% a capacidade de informar o investidor sobre a empresa no pós-investimento.

Outro aspecto interessante é que, entre as pessoas que já investiram em equity crowdfunding, um quinto acredita que o estágio do negócio não é uma dimensão relevante para a decisão; 37% priorizam empresas com protótipo ou produto desenvolvido em uma primeira rodada de captação; apenas 6% investem em empresas em estágio pré-operacional.

A insegurança é o principal motivo que barra o investimento – 37,2%, seguido por problemas com a oferta (dúvidas sobre a rentabilidade) – 21,2%; e custos de investimento – 10,3%. Entre os entrevistados, 45% já investiram em empresas oferecidas pela plataforma. Entre os atributos desejados em negócios para investir, o potencial de escala lidera a percepção.

Confira aqui a pesquisa divulgada na Exame.com

Equity crowdfunding

O equity crowdfunding é a oferta pública de valores mobiliários que uma empresa disponibiliza para um grupo de investidores por meio da internet. Ao contrário do crowdfunding tradicional, em que a pessoa recebe brindes ou mesmo o produto como recompensa pelo capital aportado, no equity crowdfunding o investidor recebe, como contrapartida, uma participação acionária ou um título de dívida, que pode ser conversível em ações da empresa apoiada.

Por tratar-se de uma oferta pública de valores mobiliários, as captações via equity crowdfunding devem ser informadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) segundo regras estabelecidas pela instrução CVM 400. Para facilitar essas operações, a CVM simplificou o processo para captações de até R$ 2,4 milhões – desde que as empresas faturem até R$ 3,6 milhões.

 

 



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial