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1º Fórum Negócios de Impacto Periférico debate empreendedorismo na base da pirâmide

A maior contribuição do 1º Fórum Negócios de Impacto Periférico (NIP), realizado no dia 26 de maio, em São Paulo, foi desmistificar o empreendedorismo na base da pirâmide. Demonstrar que sonhos podem ser concretizados em projetos de impacto para resolver problemas e que empreendedores da periferia podem oferecer serviços fazendo o que gostam de fazer.

Quase 200 pessoas participaram do fórum, uma iniciativa de A Banca, produtora cultural social da quebrada, referência nacional em empreendedorismo no Brasil. Com o Projeto NIP (Negócios de Impacto Periférico), a organização tem o objetivo de fomentar projetos, ongs, coletivos e negócios de periferia a gerarem impacto financeiro, social e ambiental positivo na base da pirâmide.

“O Fórum reuniu gente daqui, da quebrada do Jardim Ângela, e de outras quebradas, além de representantes de fundos de investimento e de organizações de fomento de negócios de impacto, como a Vox Capital, a Artemisia e o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE). A troca de ideias e as conexões proporcionadas pelas apresentações dos cases e debates das mesas temáticas foram muito ricas. O ecossistema de negócios de impacto é ainda um tema muito distante da periferia e todos podem ganhar com essa integração”, afirma Marcelo Rocha, o DJ Bola, um dos fundadores de A Banca.

A apresentação do case A Banca abriu a programação do evento. Bola contou a história da organização que nasceu em 1999 como movimento juvenil para fazer eventos de hip hop e sobreviver à dura realidade local – o Jardim Ângela, em São Paulo, era o lugar mais violento do mundo, segundo a ONU. Em 2008, A Banca tornou-se uma empresa sem fins lucrativos após o processo de aceleração da Artemisia. Nesses quase dez anos, contou também com o apoio institucional do Instituto Sou da Paz e de aceleradoras como a QuintessaNESsT e Instituto Papel Solidário. Hoje, é acelerada pelo Social Good Brasil e participa do Programa de Incubação e Aceleração de Impacto do ICE.

“Nós abrimos o nosso caminho e nos posicionamos como negócio social. Ainda hoje é um conceito novo. Agora, além de compartilhar nossa experiência, queremos levar essa discussão para a periferia, reunindo gente que quer fazer e gente que pode ajudar”, explica Bola.

Com esse propósito, as mesas abordaram aspectos relacionados a investimento de impacto, inovação social, educação, tecnologia e financiamento colaborativo (crowdfunding), com a participação do Geekie, Nova Escola, Artemisia, ICE, Fundo Zona Leste, Vox Capital, Fundação Lemann, Arco e Juntos com VC. Coletivos culturais trouxeram suas experiências a partir de projetos nas áreas de Identidade e Estilo (Müe e Vila Fundão), Mercado Música (Tratoria e C de Cultura), Alimentação e Saúde Sustentável (Dedo Verde e Gastromotiva), assim como os cases Moradigna (Matheus Cardoso), Periferia Sustentável (Fábio Miranda) e Mulheres Negras e Empreendedoras (Boogie Naipe e Feira Preta).
“Os empreendedores da base da pirâmide podem propor soluções mais viáveis e adequadas aos desafios sociais e ambientais que enfrentam, ao mesmo tempo que outros empreendedores podem trazer também expertises e conhecimentos técnicos de modelos de gestão, a fim de ajudá-los a avançar. O Fórum foi um espaço de diálogo importante que reuniu conhecimentos distintos”, afirma Célia Cruz, diretora executiva do ICE, que junto com Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, conduziu a mesa Negócios de Impacto e Inovação Social.

Frentes de atuação
O projeto NIP é uma das frentes de atuação de A Banca. Vivências de cultura urbana como oficinas de hip hop em escolas, produção de conteúdo sobre empreendedorismo na quebrada para o YouTube, produção de eventos mensais e anuais e o estúdio para músicos independentes são as outras frentes. O Arena da Arenga é um evento mensal que traz uma variedade de atividades para a juventude da quebrada, como apresentação musical de bandas independentes, “batalha” de MCs e venda de produtos de empreendedores. Já o evento anual de Hip Hop, projeto Praça Pólos da Paz, tem como objetivo ocupar e valorizar o espaço público trazendo a comunidade local para que ela se sinta protagonista de ocupação.

Em breve, A Banca disponibilizará o conteúdo das oficinas de hip hop, no formato de aulas em uma plataforma online, ampliando o acesso para professores. A iniciativa tem o apoio da Fundação Lemann.

O NIP, por sua vez, nasceu com o objetivo específico de promover o debate sobre negócios de impacto na periferia, fomentando projetos, organizações, coletivos e negócios de periferia para gerarem impacto financeiro, social e ambiental positivo na base da pirâmide. O projeto conta com três frentes: além do fórum anual, está em andamento uma agenda de encontros mensais com a participação de empreendedores, especialistas e outros profissionais do ecossistema a fim de discutir temáticas relevantes sobre o campo que possam fomentar o empreendedorismo na base.

A terceira frente é tornar A Banca uma incubadora de negócios de impacto periférico, projeto que faz parte do Programa de Incubação e Aceleração de Impacto, parceria entre ICE, Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores) e SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas) (*). A ideia é incubar dez projetos até o final de 2018, sendo cinco da quebrada e cinco de fora da quebrada, a fim de fortalecer a troca de experiências e promover mais parcerias e trabalhos conjuntos.

(*) A Banca é uma das dez finalistas do Programa de Incubação e Aceleração de Impacto e, como tal, participará do Desafio que premiará o melhor plano de ação de cada região do Brasil. As organizações vencedoras serão conhecidas em julho.



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial