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Série Portfólio ICE-BID: Negócios de impacto ajudam a solucionar desafios impostos pela Covid-19

A terceira matéria da série apresenta quatro empreendimentos que ajudam o Brasil no enfrentamento dos efeitos da pandemia em diferentes setores.

Desde que chegou ao Brasil, a epidemia do novo coronavírus tem mobilizado um sem número de pessoas, empresas, organizações e agentes do setor público.

São praticamente todos os segmentos da sociedade envolvidos em ações de enfrentamento aos impactos da pandemia, que começaram pelo eixo mais emergencial, que envolve infraestrutura do sistema de saúde e iniciativas de proteção social e auxílio financeiro para populações mais vulneráveis, além de medidas para tentar proteger empresas e empregos.

As iniciativas das empresas, no entanto, não se restringem a saúde e assistência social, se estendendo a ações para apoio a governos locais e a organizações da sociedade civil (OSCs) e a áreas como educação e empreendedorismo. No campo do investimento social privado, parte dessas ações está sendo mapeada e articulada pelo GIFE, em um esforço estratégico de facilitação e fomento ao setor.

Mas não são apenas as grandes empresas e o investimento social privado que se destacam nesse cenário de crise. No ecossistema de impacto, startups apresentam soluções para diferentes problemas que se tornaram mais agudos ou que emergiram com a pandemia. São empresas que têm o impacto positivo em seu DNA e que fazem parte de uma nova economia que muitos empresários e investidores já identificam como o novo normal.

Na terceira matéria da série “Portfólio ICE-BID”, apresentamos quatro negócios apoiados pela parceria entre o ICE e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do BID Lab, que somam tecnologia, inovação e criatividade aos esforços para superar os desafios impostos pela pandemia da Covid-19.

 

Fofuuu

A Fofuuu é pioneira na utilização da neurociência e da fonoaudiologia para desenvolver jogos interativos que estimulam a fala. Aliada à tecnologia, a plataforma apoia tanto profissionais da área da fonoaudiologia, quanto famílias, no tratamento e na educação de crianças com autismo, síndrome de Down ou qualquer tipo de transtorno ou deficiência. Desenvolvido com o apoio da chamada ICE-BID e da Samsung Creative Startups, o aplicativo consiste em uma ferramenta lúdica para estimular a fala, a linguagem e a cognição de crianças.

A startup nasceu em 2016 motivada pela história de sua fundadora Tricia Araújo, que nasceu com lábio leporino e passou por 15 cirurgias e oito anos de terapia fonoaudiológica. “Criamos um aplicativo para ajudar as crianças com lábio leporino, mas nos surpreendemos ao notar que autistas e pessoas com síndrome de Down estavam utilizando a plataforma em seus tratamentos.”

A nova versão do aplicativo, recém-lançada, contempla um novo curso de Habilidades Básicas, composto por atividades de fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia comportamental, conectado a um painel de controle que permite que famílias e terapeutas acompanhem a evolução das crianças. Responsável pelo desenvolvimento da solução, Bruno Tachinardi, CEO e cofundador da Fofuuu, conta ainda que a equipe está trabalhando em atividades voltadas à fala e articulação e à alfabetização dos pequenos.

Com as medidas de distanciamento social tomadas como forma de barrar a disseminação do coronavírus, a Fofuuu tem focado sua atuação no auxílio aos profissionais para atendimentos remotos. Assim, esforços feitos por famílias e profissionais para desenvolvimento da fala e da linguagem das crianças podem ter continuidade sem colocar ninguém em risco.

“O uso de ferramentas digitais nunca foi tão essencial. Com nosso aplicativo e os canais de comunicação, terapeutas e cuidadores ganham um importante aliado: materiais prontos e fáceis de usar, tudo disponível a alguns toques em seus dispositivos móveis”, observa Bruno.

Para o empreendedor, a solução da Fofuuu ganhou ainda mais relevância e o negócio tem a oportunidade de fazer a diferença na vida de milhares de pessoas. “Acredito que esse é o momento dos empreendedores sociais e de negócios de impacto mostrarem toda sua expertise, mas também de negócios que normalmente se consideram tradicionais se posicionarem com preocupações socioambientais para ajudar a sociedade a passar por essa crise.”

“Acreditamos que ter parceiros com foco em impacto social nos mantém sempre atentos e cuidadosos com os indicadores de sucesso de nossos produtos, com as parcerias com instituições de pesquisa e com a garantia clínica”, comenta Bruno, que considera que o apoio da parceria ICE-BID foi essencial para a expansão do negócio, fornecendo mentorias e conexões importantes, além dos recursos investidos.

 

IOUU

A IOUU é uma plataforma de empréstimo coletivo que nasceu com o propósito de democratizar o acesso de micro e pequenas empresas brasileiras ao crédito. Para isso, conecta empresas e pessoas em busca de crédito com investidores e instituições com dinheiro para emprestar e que desejam fomentar a economia local.

Para responder às dificuldades de clientes afetados pela pandemia, a IOUU está adotando diversas ações, como redução da taxa de juros entre 1% até 3,6% ao mês, além de carência de 90 dias para pagamento da primeira parcela ou operação bullet, ou seja, pagamento do empréstimo (principal + juros) no final do prazo acordado.

“Criamos uma campanha chamada “Conta Comigo”, cujo objetivo é ajudar comércios locais (padarias, restaurantes, supermercados, lojistas, etc.) que estão com suas portas fechadas ou com baixo movimento por conta da pandemia da Covid-19. A ideia é fazer com que os próprios tomadores de empréstimos sensibilizem sua base de clientes para emprestar via plataforma da IOUU e, assim, ajudá-los a sobreviver nesse momento de crise”, explica Bruno Sayão, CEO e fundador da IOUU.

Para ele, o momento é mais do que adequado para unir as pessoas em prol do bem comum. “Esperamos que com essas medidas possamos ajudar as micro e pequenas empresas brasileiras, que correspondem a quase 30% do PIB nacional e a 52% da massa salarial brasileira”, observa o CEO.

 

Pickcells

A Pickcells é uma plataforma baseada em visão computacional que permite o diagnóstico automatizado de doenças, mais rápido e com baixo custo. “Queremos que todos tenham acesso a diagnósticos e não sofram ou morram por falta deles”, resume Paulo Melo, cofundador e CEO da Pickcells, ao falar do impacto positivo que esperam causar.

A solução propicia a otimização da rotina de trabalho, redução de custos e até a preservação da saúde do quadro funcional em laboratórios de análises clínicas e demais serviços de saúde.

Assim que as autoridades de saúde no Brasil alertaram para o crescimento de casos de infecção pela Covid-19, os sócios da Pickcells se reuniram para decidir como colocar seus esforços no desenvolvimento de soluções que pudessem apoiar o combate ao coronavírus.

“Não poderíamos assistir inertes a tudo o que estava acontecendo. Temos conhecimento técnico-científico e um time de alta performance que pode contribuir com essa luta. E foi isso o que fizemos. Em 40 dias, desenvolvemos uma plataforma que usa a inteligência artificial para detectar pneumonia por meio de exames de raio-x e tomografia computadorizada em pacientes infectados pela Covid-19”, explica Paulo.

Ele conta que a startup desenvolveu ainda, com o apoio de pesquisadores de três universidades, uma plataforma que usa a inteligência artificial para fazer prognósticos de pacientes infectados pelo coronavírus, usando dados de exames laboratoriais de rotina. Além de uma terceira solução que é um teste rápido, que está em desenvolvimento.

“Temos consciência de que, neste momento, o impacto social é muito maior do que tínhamos antes e, por isso, estamos em contato com o Ministério da Saúde, hospitais, laboratórios, etc. para poder disponibilizar nossas soluções”, comenta o CEO.

Paulo conta que após a Chamada ICE-BID, o negócio avançou muito no desenvolvimento de sua solução, que envolve hardware e software. “A fase inicial de uma startup é muito difícil. São muitos testes de hipóteses e validações que têm que ser feitas e, sem recurso financeiro, você não tem equipe, material, pesquisa, etc. A Chamada ICE-BID nos deu fôlego para acelerarmos e desenvolvermos a nossa solução.”

Ele acredita que a estratégia original de desenvolvimento de outros exames (hematologia, histopatologia, microbiologia, etc.) será mantida, já que, apesar do momento atual de pandemia, as outras doenças continuarão a existir e as pessoas necessitam de diagnósticos. “No entanto, devemos acrescentar outras soluções baseadas no desenvolvimento que estamos fazendo para apoiar o combate à Covid-19.”

 

TNH Health

Conscientizar, instruir e cuidar da saúde por meio da tecnologia, impactando o maior número de pessoas possível. Essa é a missão da TNH Health.

Criada em 2013, a startup tem cooperado com o setor público para educar e monitorar populações que, muitas vezes, possuem recursos limitados. Alguns de seus trabalhos incluem: monitoramento de epidemias como zika e dengue, educação de gestantes de baixa renda e programas de saúde da família. A iniciativa atua ainda com grandes e pequenas empresas para ajudá-las a implementar programas de prevenção que podem salvar vidas e reduzir custos.

“Empregadores nos contratam para engajar seus funcionários em comportamentos saudáveis, especialmente se seus colaboradores estão geograficamente distribuídos. Nossos bots [diminutivo de robot, também conhecido como Internet bot ou web robot] são também usados por empresas da indústria farmacêutica para melhorar a adesão de pacientes a medicamentos. Além disso, estamos envolvidos em várias pesquisas clínicas relevantes”, conta Michael Kapps, CEO e co-fundador da TNH Health.

Desde 2017, quando participou da Chamada ICE-BID, a empresa desenvolveu inúmeros projetos de chatbots (programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas). O grande avanço foi o desenvolvimento do aplicativo Vitalk, que, por meio de chatbots, guia o usuário em uma jornada terapêutica para lidar com ansiedade, estresse, desânimo e, neste momento, claro, com a pandemia da Covid-19.

“Todos os financiamentos que recebemos são importantes por permitir que façamos o nosso melhor sem nos preocupar tanto com os resultados financeiros de curto prazo e que foquemos no impacto social. Ter o apoio da parceria ICE-BID dá muita credibilidade e confiança no que estamos fazendo”, comenta o CEO.

Michael conta que agora a TNH está usando toda sua tecnologia e expertise para disponibilizar chatbots que possam ajudar a população a enfrentar a pandemia, com foco especial para projetos que alcancem as populações mais vulneráveis.

Por meio de parcerias, o negócio disponibiliza chatbots para a população dos estados do Amazonas e de Roraima e também, junto com a TopMED, para o Ministério da Saúde. Esses chatbots têm como objetivo informar e orientar a população, tirando dúvidas sobre a Covid-19 e checando sintomas para encaminhar o usuário ao atendimento adequado.

“Com nosso aplicativo Vitalk, estamos disponibilizando gratuitamente uma terapia guiada para cuidar da saúde mental da população, que tem sido bastante afetada pelas mudanças de rotina, incertezas com o futuro e riscos de segurança financeira e saúde. Queremos criar acesso à saúde mental de qualidade para toda a população para evitar uma pandemia de saúde mental”, explica o CEO.

O app está disponível para Android e iOS. O chatbot Vitalk Covid-19 pode ser acessado aqui.

 



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial