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Vozes da rede: professores compartilham o significado de participar do Programa Academia

Criada em 2013, a Rede de Professores do Programa Academia congrega educadores de instituições de ensino superior brasileiras para discutir e incentivar a formação de talentos e  a produção de conhecimento sobre Investimentos e Negócios de Impacto.

Em 2018, o Brasil contava com 2.448 Instituições de Ensino Superior (IES), de acordo com o Censo da Educação Superior. Congregando docentes e pesquisadores com diferentes bagagens e competências, o ambiente universitário é um espaço valioso para a inovação e o empreendedorismo social. Olhando para essas fortalezas e oportunidades, o Programa Academia ICE, iniciativa do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) tem como objetivo engajar professores e fortalecer a atuação das IES brasileiras, públicas e privadas, no campo dos Investimentos e Negócios de Impacto.

Explorando as três dimensões do ensino superior – pesquisa, docência e extensão -, o programa busca conectar os educadores com os ecossistemas brasileiro e internacional de Investimentos e Negócios de Impacto; apoia a produção de pesquisas e casos de ensino; incentiva a criação de novas disciplinas e cursos em temáticas associadas à agenda de impacto; e estimula a troca sobre práticas dentro e fora de sala de aula que potencializem o desenvolvimento de novos talentos para o ecossistema de impacto.

Começando por São Paulo e outras cidades da região sudeste, onde está a sede do ICE, a Rede de Professores do Programa Academia começou sua expansão pelo Brasil em 2015. Hoje, o programa está presente em 19 estados, em todas as regiões do país. Durante o 4º Encontro Nacional da Rede de Professores do Programa Academia ICE, realizado em maio, em São Paulo, o Boletim ICE aproveitou para conversar com professores que integram o grupo sobre sua experiência com a rede e especificidades do ecossistema de impacto em seus locais de atuação. Confira a seguir.

Caiu na rede é para participar

“A rede é muito importante porque nos ajuda a construir um panorama do que está acontecendo no campo, a nos atualizar, nos retroalimentar, entender novos conhecimentos e experiências, conhecer realidades diferentes e, a partir dos relatos dos professores, conhecer questões que estão vinculadas ao tema e ao campo em outros países além do próprio Brasil. Além disso, gera inspirações para o desenvolvimento de propostas, seja dentro da universidade ou junto com colegas da rede”. João Geraldo Campos, docente da UNISUL.

“Participar de uma rede nacional é a oportunidade de ter contato com pessoas que trabalham na vanguarda de pesquisas sobre investimentos e que fazem a ponte entre empresa e academia. Para mim é um grande salto poder participar desse ecossistema e levar isso para a minha instituição e para o meu estado”. Ivana Aparecida Ferrer Silva, docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

“Nós não estamos falando de qualquer rede. Estamos falando da Rede de Professores do Programa Academia ICE, que possui um nível muito alto de discussão. Apesar de nosso perfil muito heterogêneo com relação às universidades, somos muito bem acolhidos, temos uma visão compartilhada do que queremos, compartilhamos históricos, repertórios e um grau de cumplicidade muito grande, o que com certeza não acontece em qualquer rede”. Ruth Espínola Soriano de Mello, docente da PUC-RJ.

“Para mim é importantíssimo participar da rede, pois é um grupo que promove encontros muito frutíferos. Temos contato com pessoas da nossa própria região e de vários cantos do Brasil, o que dificilmente aconteceria se não fizéssemos parte da rede. Ela também fomenta a troca de materiais, metodologias, expertises e experiências não só dentro do grupo, mas também com atores externos como aceleradoras, incubadoras, empresários de impacto e associações”. José Augusto Lacerda Fernandes, docente da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Cada Brasil um ecossistema

“De acordo com a última pesquisa da Pipe.Social, o Centro-Oeste está aquém das outras regiões do país, mas já é possível perceber a existência de atores [de impacto] na região. Eu já tenho dois alunos que desenvolvem startups relacionadas a negócios de impacto social. Por mais que as coisas estejam acontecendo a passos lentos, o movimento tem crescido e eu acredito que a tendência é se fortalecer cada vez mais. Professores do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal participaram dos últimos encontros da Rede. Com isso, poderemos fortalecer o ecossistema da região e dar mais impulso para a questão dos negócios de impacto regional.” Ivana Aparecida Ferrer Silva, docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

“A região da Grande Florianópolis é próspera no movimento do ecossistema de inovação e empreendedorismo, mas há um viés muito tecnológico. Acredito que precisamos avançar no diálogo, na discussão e na compreensão de conceitos relacionados aos negócios de impacto e, ao mesmo tempo, na criação de novos conceitos ou na aplicação dentro do campo. Também é preciso criar condições para que o empreendedor e as comunidades possam se autogerir e desenvolver projetos. Falta uma aproximação maior com os investidores, filantropos e outros agentes de fomento. Nesse sentido, precisamos de uma equalização maior de todos os atores e mais maturidade sobre os investimentos em negócios de impacto.”  João Geraldo Campos, docente da UNISUL.  

“Hoje, os números apontam que o investimento social privado tem sido majoritariamente aplicado na região Sudeste. Por isso, acredito que um dos principais desafios está relacionado à disseminação e investimentos voltados para regiões desfavorecidas do nosso país. É preciso olhar para as regiões Norte e Nordeste com o intuito de trazer estratégias para transformação e melhoria da condição de vida dessas regiões.” Marcio Waked, docente da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

Histórias e motivações

“Em 2009, comecei a trabalhar com economia criativa na incubadora da PUC-Rio [Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro]. Isso veio muito ao encontro do que eu gosto de fazer, pois já tinha um histórico de trabalho em desenvolvimento local. Juntei um experiências nas áreas de economia solidária, economia de comunidade, desenvolvimento local com a perspectiva de negócio e mecanismo de mercado para empoderar, dar mais vida, aumentar a escalabilidade e atingir mais pessoas”. Ruth Espínola Soriano de Mello, docente da PUC-RJ.

“Desde a minha graduação em administração com ênfase em gestão ambiental, tenho um olhar atento para questões relacionadas ao meio ambiente, sobretudo por conta da região de onde venho, a Amazônia. Esse olhar foi ficando cada vez mais forte conforme fui avançando no meu percurso acadêmico. Depois de um doutorado em desenvolvimento sustentável, desenvolvo projetos de extensão e pesquisa que sempre acabam tocando em questões relacionadas à sustentabilidade e a negócios que conseguem conservar a floresta e dar uma contrapartida positiva para o meio ambiente”. José Augusto Lacerda Fernandes, docente da Universidade Federal do Pará (UFPA).

“Há 15 anos eu era voluntário e presidente de uma ONG na região metropolitana de Recife. Foi nessa época que conheci o conceito de negócios sociais e comércio justo. Buscando uma alternativa de geração de renda para as mães das crianças que ficavam na nossa creche, me tornei um empreendedor social e fundei um negócio de impacto. A partir daí, comecei a participar ativamente de todos esses movimentos, não só com o intuito de alavancar o meu negócio, mas, sobretudo, para disseminar o conceito na área empresarial e na área acadêmica”. Marcio Waked, docente da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).



ICE – Instituto de Cidadania Empresarial